Milhares vão às ruas na França para protestar contra o antissemitismo

Milhares de pessoas foram às ruas nesta terça-feira (19) em várias cidades da França para protestar contra o antissemitismo. “Toda vez que um francês, por ser judeu, é insultado, ameaçado – ou pior, ferido ou morto – toda a República é atacada”, disse o presidente Emmanuel Macron em entrevista coletiva em Paris, após visitar o Memorial do Holocausto, em Paris, onde observou um minuto de silêncio ao lado de líderes políticos do Parlamento. Macron não participou das manifestações, mas esteve representado por seu premier, Édouard Philippe, que participou do protesto em Paris, ao lado dos ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy.

Horas antes do início das manifestações, Macron visitou o cemitério judaico vandalizado em Quatzenheim, uma pequena cidade na região nordeste da Alsácia e disse que sentiu vergonha ao ver túmulos vandalizados e pintados com suásticas. “Isso é de uma estupidez absurda”, disse o líder francês, parecendo visivelmente triste e preocupado. “Nós vamos agir”, prometeu ele.

As maiores manifestações ocorreram em Paris, Lille, Toulouse e Marselha.

A França, que abriga a maior população judaica do mundo, depois de Israel e dos Estados Unidos, enfrenta um aumento dos casos de antissemitismo. Entre os últimos incidentes antissemitas está o ataque ao filósofo judeu Alain Finkielkraut, um dos principais intelectuais da França, que foi cercado e xingado com ofensas antissemitas durante protesto dos ‘coletes amarelos’ no último sábado.

Em outros incidentes recentes, suásticas foram grafitadas em retratos de rua de Simone Veil – sobrevivente dos campos de concentração nazistas e ex-presidente do Parlamento Europeu, morta em 2017. A palavra “Juden” foi pintada na janela de um restaurante em Paris e um memorial a um jovem judeu, brutalmente assassinado em 2006, foi vandalizado.

Dois jovens foram presos depois de teres disparado contra uma sinagoga no subúrbio de Sarcelles, que abriga uma grande comunidade judaica. O prefeito Patrick Haddad disse que os promotores acreditam em motivação antissemita nesse ataque.

Líderes políticos e representantes das principais comunidades religiosas da França emitiram declaração conjunta condenando o antissemitismo e assumindo o compromisso para combater todas as formas de racismo e ódio.

O presidente Emmanuel Macron deve participar hoje de jantar organizado pelo CRIF – Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Samuel Petrequin e Sylvie Corbet, Times of Israel).