Nahum Goldman Fellowship promove conexão judaica entre gerações de líderes 

Organizado pela Memorial Foundation for Jewish Culture, o Seminário Nahum Goldman Fellowship, com duração de uma semana, forneceu uma experiência intensiva em aprendizado e vida judaica para homens e mulheres entre 25 e 40 anos de idade, provenientes de comunidades judaicas em todo o mundo. Três brasileiros, educadores, participaram da última edição, ocorrida de 17 a 23 de junho, em Israel.

 

O objetivo do seminário foi o de proporcionar um espaço construtivo para jovens líderes debaterem e praticarem habilidades de liderança e aprenderem sobre a diversidade e os valores compartilhados em todo o mundo judaico. O tema deste ano foi: “Quem sou eu? Construindo a identidade judaica no século XXI e explorando a natureza complexa e muitas vezes controversa da mudança da identidade judaica”. O que significa identidade no século 21 para indivíduos e comunidades judaicas? Abaixo, os três brasileiros que participaram da última edição registraram sua importância.

 

Para Marcos Gandelsman, a experiência foi uma das mais significativas que pôde vivenciar na trajetória como um educador judeu, no sentido mais amplo. “Os laços e contatos que pude desenvolver ao longo destes dias intensos de discussões e atividades à beira do Kinneret carregarei para a minha vida. Os temas debatidos e os palestrantes que tive a oportunidade de conhecer (…). Experiências como essa carregam a potência de não só serem formadoras, mas efetivamente transformadoras. Ao final disso tudo, sinto que ainda preciso de algum tempo para processar a importância destes dias para mim, mas posso certamente dizer que me sinto transformado”.

 

Em seu relato, Iona Naslauski Bacht conta: “”Estava sentada na praia de Tel Aviv assistindo ao pôr-do-sol, daquele jeito que só acontece em Israel, onde o sol desce certinho na direção do mar. Um grupo de garotos sentou ao meu lado e começou a cantar: matanot ktanot – pequenos presentes. Eu pensei que este era o meu pequeno presente da semana, antes de começar um mergulho profundo sobre o judaísmo no século 21. Mas me enganei. Impossível resumir tudo o que foi vivido durante a 31ª edição do Nahum Goldman Fellowship mas, em poucas palavras, aquilo que mais me marcou foi a possibilidade de construir pontes com outros líderes judeus dos lugares mais remotos do mundo, entender que as nossas diferenças, no final do dia, só fortalecem nossa existência. Tive o privilégio de acompanhar um grupo de pessoas que durante sete dias estavam mais interessadas em descobrir aquilo que as une do que aquilo que as separa e estes são os pequenos presentes que ficaram comigo mesmo depois de terminada essa jornada”.

 

Felipe Cusnir começa seu depoimento referindo-se a uma anedota judaica. “Quando dois ou mais judeus se reúnem para discutir o que é identidade judaica – isto é identidade judaica”. Brincadeiras à parte, esta anedota não se distancia totalmente do maior desafio e, ao mesmo tempo, maior tesouro do povo judeu: perguntar-se constantemente o que significa ser judeu em seu tempo. Perguntar-se o que é ser judeu e, principalmente, por que ser judeu, tornou-se imperativo em nossos dias. As perguntas acima propostas podem não ser necessariamente confortáveis e nem sugerir uma resposta absoluta. Mas certamente, indagar-se sobre estas questões e caminhar sobre os diversos aspectos da identidade judaica propicia uma análise profunda sobre maneiras de viver uma identidade judaica significativa”.

Foi com este objetivo, e com apoio da Conib, que Felipe se juntou a dezenas de judeus de todas as partes do mundo no congresso NGF 31, às margens do Kinneret.”Falamos sobre identidades mizrahim e seu papel na memória coletiva judaica, falamos sobre a relação de Israel na identidade judaica global. Desafiamos a nós mesmos a partir de histórias de nossa literatura judaica, ao se deparar com os sagrados textos do Talmud e do Tanach. Durante esse percurso, fomos guiados por excelentes professores, acadêmicos de excelentes universidades e centros de estudo nos EUA e Israel. Com suas capacidades, oratória e ensinamentos, deparamo-nos com as diferentes realidades vividas pelos jovens líderes de diversas comunidades judaicas” enumerou. Para Felipe, o encontro proporcionou um espaço de troca de vivências, informações, aprendizado e momentos memoráveis, como o Shabat vivido em frente ao Kinneret. “Enquanto houver judeus no mundo se perguntando o que é ser judeu, com objetivo de tornar a identidade judaica mais forte e significativa sempre, teremos a certeza de que o nosso povo está caminhando nos trilhos corretos”, disse Felipe.