Netanyahu anuncia visita oficial ao Chade para a retomada de relações diplomáticas

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou para o próximo domingo (20) visita oficial ao Chade, de maioria muçulmana, para a retomada de relações diplomáticas, depois de 47 anos de rompimento. Em novembro, o presidente do Chade, Idriss Déby, fez visita surpresa a Israel, durante a qual ele disse estar interessado em restaurar os laços diplomáticos completos com o Estado judeu. Ao deixar o país depois de uma viagem de três dias, durante a qual também visitou o Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, Déby ouviu de Netanyahu a promessa de retribuir ‘em breve’ a visita para o restabelecimento formal dos laços diplomáticos entre os dois países.

“As relações entre nossos países foram cortadas em 1972 por razões históricas específicas, mas nossas relações especiais continuaram o tempo todo”, disse, na ocasião, Déby, que governa o Chade desde 1990. Os líderes de Israel e do Chade reconheceram que os contatos clandestinos continuaram mesmo depois que as relações foram suspensas. “A retomada das relações diplomáticas com o seu país, que eu desejo, não nos faz ignorar a questão palestina”, destacou Déby na ocasião. “O meu país está profundamente comprometido com o processo de paz e apoia a iniciativa de paz árabe, os princípios de Madrid e os acordos existentes’, disse ele.

O Chade tem localização importante para Israel, já que poderia permitir que aeronaves israelenses economizassem várias horas de voo em rotas para a América Latina (embora, para isso, Israel também precise obter a autorização do Sudão). Quase 15 milhões de pessoas vivem hoje no Chade, 55% das quais são muçulmanas. Cerca de 40% são cristãos.

Netanyahu viajou três vezes para a África nos últimos dois anos, visitando o Quênia, Ruanda, Etiópia, Uganda e Libéria.

Em julho de 2016, a República da Guiné, um país pequeno de maioria muçulmana na África Ocidental, renovou as relações diplomáticas com Israel, depois de ter rompido os laços com o Estado judeu em 1967. Nos últimos anos, Netanyahu vem buscando uma aproximação com países árabes e africanos, de maioria muçulmana, como Mali e Somália (Raphael Ahren, Times of Israel).