Netanyahu avalia conflito com Hezbollah e elogia nações do Golfo por apoiarem o direito de Israel de se defender

“Foram momentos tensos, mas alcançamos todos os nossos objetivos”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao avaliar o conflito do fim de semana com forças do Hezbollah na fronteira com o Líbano.

Netanyahu elogiou o apoio de países do Golfo que reconheceram o direito de Israel de se defender e anunciou planos para a realização de outra reunião tripartite com altos funcionários dos EUA e da Rússia, a ser realizada em Jerusalém, para discutir a presença militar do Irã na Síria.

“Congratulo-me com as declarações dos ministros das Relações Exteriores do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos contra a agressão do Hezbollah”, disse ele, ao afirmar que ambos condenaram o grupo por atacar Israel a partir do território libanês.

“Isso mostra a mudança de princípios que está ocorrendo no Oriente Médio. O mundo árabe entende que a agressão iraniana não coloca em risco apenas Israel, mas toda a região”, destacou o premier hoje em reunião de gabinete.

“Tivemos alguns dias tensos em muitas frentes. Poderíamos ter aberto esta semana de maneira totalmente diferente, mas agimos com uma combinação de assertividade e bom senso e alcançamos todos os nossos objetivos”, disse ele.

Na tarde de domingo, o Hezbollah disparou um míssil anti-tanque contra veículos militares israelenses. Ninguém ficou ferido, e Israel respondeu atacando os alvos do Hezbollah no sul do Líbano.

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Khalid bin Ahmed Al Khalifa, que já havia manifestado apoio ao direito de legítima defesa de Israel e se reuniu publicamente com autoridades israelenses, criticou o governo libanês por permitir o ataque do Hezbollah.

“Um estado de prontidão, assistindo batalhas ocorrendo em suas fronteiras e colocando seu povo em risco, é um estado que negligencia muito suas responsabilidades”, escreveu ele no Twitter.

O ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, também tuitou: “Nosso coração está com o Líbano e o povo libanês esta noite”, observando que eles sempre sofrem com “decisões tomadas por um único líder e arcam com as consequências”, em clara crítica ao Hezbollah.

Netanyahu disse que estão em andamento os preparativos para uma segunda reunião trilateral entre Israel, EUA e Rússia, “para continuar discutindo a saída do Irã da Síria”.

Em 25 de junho, o conselheiro de segurança nacional dos EUA John Bolton e seu colega russo, Nikolai Patrushev, juntaram-se aos principais oficiais de segurança de Israel em Jerusalém para uma reunião de cúpula inédita.

A Rússia, que mantém laços estreitos com Israel e Irã, é vista como um interlocutor entre o Ocidente e Teerã. Mas Patrushev na época indicou que Moscou estava do lado da República Islâmica, rejeitando a visão de que o regime representa “a principal ameaça à segurança regional” e afirmando que ataques aéreos israelenses na Síria contra as forças iranianas e seus representantes eram “indesejáveis”.

Um porta-voz da Embaixada da Rússia em Tel Aviv não confirmou a realização de preparativos para outra reunião, mas reconheceu que o primeiro encontro foi “muito positivo”.

Netanyahu também anunciou que determinou que o foco nas questões de segurança se concentre em três prioridades principais: frustrar as ambições nucleares do Irã; impedir que a República Islâmica forneça a seus aliados, incluindo o Hezbollah, armas sofisticadas e evitar que Teerã e seus representantes estabeleçam bases militares perto das fronteiras com Israel.