Netanyahu não consegue formar coalizão e Israel terá novas eleições em 17 de setembro

Exatamente um mês após tomar posse, o 21º Knesset votou nesta quarta-feira (29) pela sua dissolução e pela convocação imediata de novas eleições em 17 de setembro.

Foi a primeira vez na história de Israel que um primeiro-ministro não consegue formar uma coalizão depois de receber a tarefa do presidente após eleição.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comunicou ao seu partido, Likud, antes da votação que não conseguiu chegar a um acordo com o líder do Yisrael Beytenu, Avigdor Liberman, sobre o controverso projeto de serviço militar obrigatório para os ultra-ortodoxos, plano para o qual o premiê também não conseguiu o apoio de outros partidos da oposição.

“O Estado de Israel vai às eleições por causa da recusa do Likud em aceitar nossa proposta”, disse Liberman ao entrar no plenário do Knesset. “Esta é uma rendição completa do Likud aos ultra-ortodoxos. Nós não seremos parceiros em um governo de lei judaica”, disse ele.

O ministro do Turismo, Yariv Levin, chefe da equipe de negociação do Likud, disse à imprensa que “acabou” quando chegou à reunião do Likud, depois que sua última negociação fracassou.

O ministro da Proteção Ambiental, Ze’ev Elkin, disse que não havia escolha a não ser realizar novas eleições, devido à intransigência de Liberman e sua recusa em aceitar “mil compromissos” que foram oferecidos no decorrer da semana.

A votação – realizada logo após o fim do prazo, à meia-noite, em que Netanyahu precisava dar uma resposta formal ao presidente Reuven Rivlin sobre a formação da coalizão de governo – foi de 74 votos a 45 pela dissolução do Parlamento.

O próprio Likud deu início à proposta de dissolução, em vez de dar a Rivlin a chance de indicar outro líder para formar um governo.

Ao apresentar o projeto ao Knesset, Miki Zohar, do Likud, disse que estava “desapontado” com a situação, “mas fomos forçados a isso”. Ele admitiu que a decisão “não seria lembrada de forma positiva em nossa história”.

“A esquerda nos pergunta por que não demos a Benny Gantz, líder do Azul e Branco, uma chance de formar a coalizão”, disse Zohar. “Dois milhões e meio de pessoas votaram em nosso partido e em Netanyahu, mesmo sabendo da audiência de pré-acusação”, em que o primeiro-ministro terá de comparecer para responder sobre três acusações de corrupção. “Eles não queriam Gantz”, frisou.

Nas mal-sucedidas conversas para a formação da coalizão, o Likud propôs que, assim que o governo fosse formado, a lei de recrutamento militar obrigatório proposta por Liberman fosse apresentada para a aprovação do plenário do Knesset. Após sua aprovação, haveria mais negociações sobre quando a lei entraria em vigor. Se um acordo nesse sentido não fosse alcançado até o final de julho, o serviço militar seria obrigatório para todos, como determina a lei. Em resposta, o Judaísmo da Torá Unidos disse que apoiaria outro partido para liderar a coalizão.