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Confederação Israelita do Brasil repudia congresso evoliano - racista e negacionista - em São Paulo

10 Set 2014 | 10:58
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O Encontro Internacional Evoliano acontece nos dias 10, 11 e 12 de setembro, em São Paulo. O movimento cultua Julius Evola, guia espiritual do neofascismo italiano, falecido em 1974. Entre os convidados, Alain Soral, conhecido da Justiça francesa pelas suas praticas antissionistas e antissemitas; e o sociólogo Alexandr Dugin, conselheiro de Putin e partidário das leis homofóbicas vigentes na Rússia.

A Confederação Israelita do Brasil expressa seu repúdio a toda e qualquer manifestação de preconceito e esclarece que toma todas as medidas cabíveis e a seu alcance, junto ao Ministério da Justiça e demais autoridades competentes, para impedir e contestar a realização de eventos com esse caráter.

Em casos como este, a entidade age nos limites da legislação. Além disso, deve questionar e combater movimentos e eventos antissemitas sem, contudo, suscitar atenção que eles não possuem e não merecem.

Em pronunciamento na Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Floriano Pesaro afirmou: “Sei que a liberdade de expressão exige de nós uma amplitude desconfortável, mas pergunto-me qual é o limite do bom senso e quando é que a expressão torna-se incitamento ao racismo. É uma linha tênue, e preocupam-me as insinuações, as piadas e o calor das discussões. Com um congresso destes, a democracia ficará um pouco mais pobre em nossa cidade”.

Marcelo Itagiba, ex-deputado federal e delegado de Polícia Federal aposentado, escreveu mensagem ao diretor geral da PF, Leandro Daiello Coimbra: “Como é do  conhecimento de V. Exa, a Constituição Federal determina o repúdio ao terrorismo e ao racismo. Temos leis que autorizam a não concessão de visto ao estrangeiro que já tenha sido processado em outro pais por crime doloso. Alain Soral se encaixa nos dispositivos legais elencados, dadas as suas posições racistas, razão pela qual deve ser impedida a sua entrada no território nacional”.

Leia abaixo os textos completos de Pesaro e Itagiba.

Pronunciamento do vereador Floriano Pesaro na Câmara Municipal de São Paulo (veja também o vídeo):

São Paulo está prestes a se tornar figura importante em um campo deprimente. Infelizmente, amanhã, São Paulo terá mais um marco.

Entretanto, desta feita, não será algo do qual poderemos nos orgulhar.

Afinal de contas, qual é o benefício de recebermos pessoas que advogam o negacionismo e a homofobia?

Nos dias 10, 11 e 12 de Setembro, acontece em nossa cidade o Encontro Internacional Evoliano, cujo movimento cultua Julius Evola, o líder do neofascismo. Como se não bastassem os evolianos, capazes de incitar a intolerância e o fascismo entre nosso povo tão sincrético em seus princípios, este encontro traz como palestrantes duas figuras extremamente perniciosas para destilarem seus venenos entre nossos jovens.

Uma delas é o sociólogo Alexandr Dugin, conselheiro de Putin, que advoga a simples anexação de toda a Ucrânia, usurpando a independência de todo um país. Dugin é partidário de todo um conjunto de leis homofóbicas hoje vigentes na Rússia. O encontro também recebe Alain Soral, um famoso sociólogo francês de extrema direita antissemita, com vários processos na França por antissemitismo declarado, e que eu não sei como consegue entrar em nosso país, tendo um ódio tão declaradamente exposto em tantos processos legais.

Os evolianos mesmos, em seu blog, negam o Holocausto como se fosse uma invenção dos seres inferiores.

Como podemos reagir a um evento destes? Denunciando aqui. Nesta casa que representa nossa cidade, alertando contra o perigo que isto representa.

Alertamos todos os nossos conhecidos para que boicotem um evento destes, sabendo que lá a democracia estará sendo pisoteada, pois ela é um princípio que os evolianos não respeitam.

Tenho que confessar que me senti enojado ao ler os conceitos filosóficos nos quais se baseiam os princípios de superioridade de raça humana dos evolianos.

Para eles, seres humanos nem sempre são iguais e daí começa toda a sua evolução de pensamento. Aliás, eles contestam a Declaração Universal dos Direitos Humanos emitida pela ONU em 1948.

Como vereador de nossa cidade, e mesmo como pessoa consciente e amante da diversidade, eu não posso deixar de me manifestar contra um evento desta ordem.

Sei que a liberdade de expressão exige de nós uma amplitude desconfortável, mas pergunto-me qual é o limite do bom senso e quando é que a expressão torna-se incitamento ao racismo. É uma linha tênue, e preocupam-me as insinuações, as piadas e o calor das discussões.

Com um congresso destes, a democracia ficará um pouco mais pobre em nossa cidade.

Que tenhamos eventos mais edificantes em nossa gloriosa São Paulo.

Floriano Pesaro
 

Mensagem de Marcelo Itagiba ao diretor geral do Departamento de Policia Federal e ao superintendente da PF em São Paulo:

Nos dias 10, 11 e 12 de setembro acontecerá na cidade de São Paulo o chamado Encontro Nacional Evoliano. Tal encontro pretende discutir assuntos contrários aos princípios da nossa Constituição Federal e das leis brasileiras, com a difusão de ideias de cunho racista.

Um dos estrangeiros convidados que pretende entrar no território nacional é Alain Soral, conhecido da Justiça Francesa pelas suas praticas antissionistas e antissemitas

Como é do  conhecimento de V. Exa, a Constituição Federal determina o repúdio ao terrorismo e ao racismo. O art. 4°, VII, e a Lei 6.815, Estatuto do Estrangeiro, em seu artigo 7°, II e IV, autorizam a não concessão de visto ao estrangeiro que já tenha sido processado em outro pais por crime doloso.

Alain Soral se encaixa nos dispositivos legais elencados, dadas as suas posições racistas, razão pela qual deve ser impedida a sua entrada no território nacional.

Marcelo Itagiba


Na capa do site, efígie de Julius Evola.





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