“Um homem. Um Rabino” é lançado sem Henry Sobel
O lançamento da autobiografia do rabino Henry Sobel, na noite desta terça-feira, 25/03, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, foi realizado sem a presença do autor. O médico Martinus Van de Bilt, que acompanha Sobel desde o ano passado, declarou que a saúde do rabino impede, no momento, sua participação em qualquer atividade pública. Sobel está internado desde o dia 12 em uma clínica de repouso na Zona Sul de São Paulo, após uma séria crise de ansiedade. Segundo Alisha Sobel, filha do rabino, “tínhamos esperança, até o último momento, de que meu pai receberia autorização médica para participar do lançamento. Mas, infelizmente não foi possível”.

A presidente da CIP (Congregação Israelita Paulista), Dora Lúcia Brenner, comentou que “gostaria que o rabino estivesse vendo o lançamento”, ao se referir as mais de 800 pessoas que compareceram ao evento. Para o rabino Michel Schlesinger, da mesma Congregação, “apesar de a festa não estar completa, porque o “aniversariante” não veio, a energia que se sente é de muito carinho. A presença de tantos judeus e não-judeus é uma demonstração de reconhecimento por estes 37 anos de dedicação à comunidade judaica e à causa dos direitos humanos”.

Horácio Lafer Piva, ex-presidente da Fiesp, disse que “Sobel vai entender que as pessoas gostam dele, além dele. Ele não precisa nem estar presente para receber homenagens”. O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, mesmo sabendo que o rabino não estaria presente, fez questão de comparecer, “Sobel é meu amigo; tenho muita estima porque ele é uma figura extraordinária”. Apesar da ausência de Sobel, a livraria Cultura comercializou mais de 450 exemplares de “Um Homem. Um Rabino” durante o evento, que se estendeu até as 22 horas. Uma longa fila se formou para que os presentes deixassem mensagens ao rabino no caderno disponibilizado pela Ediouro. No total, foram registradas 245 homenagens.

Em suas memórias, Sobel declara: “Com este mergulho público em minha alma e na história de minha vida, sob o pano de fundo da reconstrução de uma sociedade democrática no Brasil, proponho apresentar todos os elementos – de forma transparente, sem táticas ou meias-verdades – para que o leitor e a leitora, judeus e não-judeus, façam seu próprio julgamento”. De forma corajosa, Sobel admite sofrer de um transtorno bipolar, diagnosticado após sua detenção, ao furtar quatro gravatas em Palm Beach (EUA), em março de 2007.