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Em 29 de novembro de 1947, ONU aprovou a Partilha da Palestina. Os judeus a aceitaram; os árabes, não

27 Nov 2015 | 16:42
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Oswaldo Aranha (centro) na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foto: acervo do jornal O Globo.

Desde o ano 135 da Era Comum, quando os romanos mudaram o nome da província da Judeia para Palestina, este foi o nome de uma região geográfica - assim como Sibéria e Patagônia - dominada ao longo dos séculos por diversos impérios. Para nossa análise, interessa focar seu status antes da Primeira Guerra Mundial, quando era uma subprovíncia do Império Otomano, e os donos da maior parte de suas terras viviam em Beirute ou Damasco. Após o final do conflito, a região passou para domínio britânico.

O tamanho da Palestina sob mandato britânico mudou conforme os interesses dos novos mandatários. Em 1922, a Palestina era assim:

Em 1923, a parte da Palestina a leste do Jordão passou a ser administrada pela Casa Hashemita (da atual Arábia Saudita), aliada dos britânicos. E as colinas de Golã passaram ao território sírio, administrado pelos franceses. Assim, a Palestina diminuiu de tamanho em 77%, conforme o mapa abaixo:

Portanto, o território da atual Jordânia (criada em 1946) já foi Palestina, e 70 % da população jordaniana é composta por palestinos. Por que ninguém pede aos jordanianos que se retirem dos “territórios ocupados”?

Em 1947, os britânicos decidiram sair da “Palestina que restou”, devido aos conflitos entre árabes e judeus, e solicitaram à ONU uma decisão sobre o território.

Em 29 de novembro de 1947, a ONU, em Assembleia Geral presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou o plano de Partilha da Palestina (Resolução 181), com a criação de um Estado judeu e um Estado árabe (note que a ONU não se refere a um Estado palestino, mas árabe). Pois se o território da Palestina seria partilhado, os dois Estados advindos desta Partilha seriam obrigatoriamente palestinos, o árabe e o judeu. Os judeus aceitaram a Partilha; os árabes, não. Resultado: o Estado judeu palestino é Israel; os árabes não aceitaram a Partilha e, nas muitas guerras que se seguiram após a fundação de Israel, mostraram que estavam mais preocupados em destruí-lo do que em construir o seu Estado.

Em 30 de novembro de 1947, um dia após a recusa da Partilha pelos árabes, começou uma espiral de violência - incitada pelos líderes árabes e não pelo povo palestino.
 

A Guerra de Independência

No dia da saída dos britânicos da Palestina, 14 de maio de 1948, os judeus criaram Israel. Cinco países árabes - Egito, Síria, Transjordânia (atual Jordânia), Iraque e Líbano-, em desrespeito flagrante à resolução 181, atacaram Israel um dia após sua independência. O Estado judeu foi deixado à própria sorte pela comunidade internacional.

Os principais exércitos árabes que invadiram o Estado judeu recém-criado foram equipados e treinados pelos britânicos. O exército sírio foi equipado pelos franceses e tinha recebido ordens do governo de Vichy para resistir à invasão britânica do Oriente Médio durante a Segunda Guerra.  

Já Israel dependeu quase que unicamente de armas compradas na então Tchecoslováquia. No final de 1947, o Departamento de Estado americano decretou um embargo de armas e material de guerra para judeus e árabes na Palestina, uma decisão que só teve um efeito na prática. Como não havia comunidade árabe na América do Norte, mas uma comunidade judaica substancial e ansiosa para ajudar os israelenses, o embargo impediu que grande parte desta ajuda chegasse ao seu destino. O pequeno número de suprimentos e armas enviados a Israel da América do Norte chegou por contrabando.

Um grupo de pilotos veteranos da Segunda Guerra Mundial se ofereceu para lutar por Israel, contrabandeando aviões Messerschmitt sucateados. O documentário “Acima e Além” [“Above and Beyond”, no original] conta a história desse grupo e mostra como ele não apenas evitou a destruição do Estado judeu, como também criou as bases para a Força Aérea israelense. O filme revela que, em 1948, Israel dispunha de apenas três aviões em condições de voar.

Composto em 80% por cenas de arquivo, mostra a desproporção das forças em combate (com cenas de Tel Aviv bombardeada pela Força Aérea egípcia e tanques egípcios avançando sem resistência pelo deserto do Negev). Não há como afirmar que Israel estava preparado para a guerra; 6.000 soldados judeus morreram no conflito, quase 1% da população de Israel na época. Veja o trailer, especialmente a partir de 3:00 min: https://www.youtube.com/watch?v=6NH5FYlCrts

Apesar de tudo - e com a morte de 1% de sua população durante um ano de guerra - Israel venceu. A intransigência árabe criou o problema dos refugiados palestinos. Criou também a "causa palestina" e a tão citada Nakba, a catástrofe palestina.

Uma parte dos palestinos fugiu, outra saiu a pedido dos próprios países árabes invasores - que lhes garantiram que poderiam voltar assim que a guerra estivesse ganha-, e outra parte foi expulsa (a propaganda "pró-palestina" clássica afirma que todos foram expulsos), e mesmo estes o foram em um contexto de guerra. Não houve política deliberada de expulsão – e nem poderia haver, porque Israel foi o atacado e não o agressor. Boa parte dos palestinos ficou em Israel; eles são hoje 20% da população – , artistas, estudante universitários, médicos, engenheiros, jogadores de futebol, ministros na Suprema Corte. A Lista Árabe é o terceiro partido no Parlamento.

Fato: se os árabes tivessem aceitado a Partilha, os palestinos não teriam sido desalojados. O próprio Mahmoud Abbas reconheceu (apenas em 2011) o erro árabe.

Não é muito difícil ver a dimensão deste erro. Este é o mapa da Partilha:

Note-se que o deserto do Negev, ao sul de Bersheba – única grande cidade do Negev, que ficaria no Estado árabe-, é uma região pouco habitada até hoje, e representava 60 % (8.600 km2) da área designada ao Estado judeu. Na parte não desértica, a área árabe (11.700 km2) seria o dobro da área judaica (5.700 km2). Para efeito de comparação, a área do Estado de Sergipe é 21.900 km2.

Após a Guerra de Independência (1948-1949), Israel conquistou parte da área árabe indicada pela Partilha; a Jordânia ocupou a Cisjordânia; o Egito ocupou Gaza (nenhum dos dois jamais pensou em criar ali um Estado palestino, tanto que mantiveram a ocupação até a Guerra dos Seis Dias, em 1967).


A Guerra dos Seis Dias e os "territórios ocupados"

Em 1967, o líder egípcio Gamal Abdel Nasser ameaçava aniquilar Israel e fechou o acesso do país ao Mar Vermelho. Israel lançou um ataque preventivo e conquistou os territórios, que não eram palestinos no terreno, mas egípcios e jordanianos. Passaram a ser “palestinos” após a vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias (não contra os palestinos, já que nunca houve um Estado palestino, mas contra Egito, Síria e Jordânia, nunca é demais esclarecer).

É importante lembrar também que a Organização para Libertação da Palestina foi fundada em 1964, quando os famosos “territórios ocupados” estavam ocupados por Egito e Jordânia. O objetivo da OLP era, portanto, destruir Israel. Somente em 1988, a entidade retirou esta claúsula de sua Carta.

Além disso, o armistício assinado em 1949 entre Israel e Jordânia previa o livre acesso aos lugares santos de Jerusalém Oriental. No entanto, a Jordânia não apenas proibiu o acesso dos judeus aos locais, como dessacralizou e destruiu dezenas de sinagogas e cemitérios judaicos. Somente após a reunificação de Jerusalém, em 1967, passou a haver liberdade de culto para as três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo (cujas área sagradas são administradas por uma instituição jordaniana).

A tão citada Resolução 242 pede a retirada de Israel de territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias, em 1967. A mesma resolução – mas isso é raramente citado – também pede o reconhecimento da soberania, integridade territorial, independência política e o direito de viver em paz de todos os Estados da região. Veja o texto:

No entanto, em setembro de 1967, oito Estados árabes reuniram-se no Sudão e proclamaram os infames “Três Nãos”: não à paz com Israel; não ao reconhecimento de Israel; não às negociações com Israel”.

Refugiados árabes e judeus

A ONU criou em 1949 a UNRWA- United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East, uma agência exclusiva para assuntos relacionados aos refugiados palestinos, enquanto que outra comissão, a UNHCR- United Nations High Commissioner for Refugees, se encarrega de TODOS OS OUTROS refugiados do mundo.

A UNHCR tem a tarefa de realocar os refugiados, mas a UNRWA, não. Já em 1951, apenas dois anos após o final da Guerra de Independência de Israel, o então diretor da UNRWA, John Blanchford, propôs que os refugiados palestinos fossem incorporados aos países árabes. O que aconteceu? Ele foi demitido...

Pelo estatuto singular da UNRWA, descendentes de refugiados também são refugiados. O estatuto da UNHCR, criada em 1950, é diferente e não contempla essa cláusula. Por isso, os palestinos conseguem manter sua condição de refugiados (de 700 mil a 5 milhões) há mais de 65 anos, o que incentiva a manutenção de uma “cultura do refugiado”. A UNHCR já encontrou solução para cerca de 10 MILHÕES de refugiados de todo o mundo. 

A maior parte dos fundos que financiam a UNRWA é da Europa e dos EUA, e não dos países árabes e/ou muçulmanos. É que para estes os palestinos servem como massa de manobra em seu objetivo de deslegitimizar Israel.

Pouca gente sabe, mas 850 mil judeus foram expulsos de países árabes a partir de 1948. Ninguém fala hoje dos refugiados judeus porque eles foram, em sua maioria, absorvidos por Israel, e com grande dificuldade. O país, então pobre, dobrou sua população entre 1948 e 1952. Já os países árabes jamais absorveram com plenos direitos os “irmãos” palestinos.





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