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Setembro Negro: o esquecido "genocídio" palestino

24 Out 2016 | 11:35
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Introdução

Em 1970, mais de 20 mil palestinos foram mortos no episódio que ficou conhecido como Setembro Negro. Antes que você acuse Israel de “genocídio”, respire fundo e continue a leitura.

O responsável pelo massacre, que teve seu pico em setembro de 1970, foi o Rei Hussein da Jordânia, país nascido da intervenção britânica em um território que havia sido definido pela Liga das Nações, em 1922, como parte de um Lar Nacional Judaico. A população jordaniana é composta de 70% de palestinos e 30% de beduínos.

O poder de Hussein se enfraqueceu por causa da derrota para Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Descontentes com a falta de apoio árabe à causa palestina, os cada vez mais radicalizados grupos palestinos, principalmente a Organização para Libertação da Palestina (OLP) e a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), passaram a ameaçar o reino jordaniano.

Para demonstrar que não eram dependentes dos serviços e instituições jordanianas, os palestinos criaram sua própria força policial, tribunais, prisões, bem como sistema de educação, serviços sociais e de saúde, estações de rádio e jornais independentes. Um Estado dentro do Estado.

No auge da tensão, o rei Hussein sofreu três tentativas de assassinato, entre 9 de junho e 1º de setembro de 1970. E resolveu dar um fim ao problema, expulsando os guerrilheiros palestinos da Jordânia.

O número de mortos entre os palestinos também virou motivo de disputa: A Wikipedia estimava o número de mortos entre 3.400 e 20 mil, citando duas fontes; posteriormente, o númnero foi fixado em 3.400, com citação das MESMAS fontes. O que está por trás disso?

 

A criação (ou invenção) da Jordânia

Com o fim da primeira Guerra Mundial e a queda do Império Otomano, a Liga das Nações decidiu, na Conferência de San Remo, entregar o mandato da região da Palestina aos britânicos. O texto final da conferência foi acordado por 51 países da Liga das Nações, no dia 24 de julho de 1922, tendo força de lei internacional vinculante. A Liga deliberou em favor do estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o povo judeu, em um território que compreendia a atual Jordânia, como mostra o mapa abaixo.


Território do Mandato Britânico para a Palestina. Fonte: Aish.


Em seu preâmbulo, o texto da conferência diz:

“As principais potências aliadas também concordaram que a Mandatária deve ser responsável por pôr em prática a declaração feita originalmente em 2 de novembro de 1917, pelo Governo de Sua Majestade Britânica, e adotada pelas ditas Potências, em favor do estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, sendo claramente entendido que nada deve ser feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades existentes não judaicas na Palestina, ou os direitos e estatuto político dos judeus em qualquer outro país”.

Assim, portanto, já era adotado por todas as potências mundiais o compromisso do estabelecimento de um lar judaico na Palestina, como o próprio preâmbulo traz.

O artigo 5 do texto da Conferência também trouxe o compromisso a Grã-Bretanha de impedir a repartição do território,

"A Mandatária será responsável por cuidar que nenhum território da Palestina seja cedido, ou arrendado ou sob qualquer outra forma colocado sob o controle do Governo de qualquer potência estrangeira".

Entretanto, em uma violação explícita aos termos do artigo 5, o Governo Britânico transferiu toda a região da Palestina a leste do rio Jordão ao controle da Casa Hachemita (da atual Arábia Saudita) aliada dos britânicos e ainda modificou seu nome para Transjordânia, conforme mostra o mapa abaixo.


Território “aleijado” do Mandato Britânico para a Palestina. Fonte: Aish.

 

A Casa Hachemita foi aliada da Grã-Bretanha na luta contra os turcos otomanos: o emir de Meca, Hussein ibn Ali, liderou as tropas beduínas (conforme “Israel e a paz no Oriente Médio: uma luz no fim do túnel?” , de Henrique Rattner, ex-professor da USP).

E assim, em “gratidão”, os britânicos entregaram o trono da Transjordânia ao emir Abdullah, um dos filhos de Hussein. Como sabemos, a Casa Hachemita era a dona do petróleo da região, e até a descoberta do petróleo do Mar do Norte, na década de 1960, o Reino Unido dependeria desta fonte.

O novo nome da região, Transjordânia, não era nada mais do que uma referência geográfica ao local. O prefixo “trans” significa além, descrevendo o território que ficava do outro lado do rio Jordão. A Transjordânia ficou independente em 1946 e, em 1949, mudou de nome para Jordânia. Assim, o território da atual Jordânia já foi Palestina. Em 1964, a Jordânia mostrou que queria mais: abocanhar Israel (veja o selo abaixo), de modo que todo o território do Mandato Britânico na Palestina, designado pela Liga das Nações como Lar Nacional Judaico, viraria “Lar Nacional Jordaniano”. E a causa palestina?

 


Selo jordaniano de 1964 mostra Israel como “pertencente” à Jordânia. E o Estado palestino?


Não à toa, 70% da população jordaniana é composta por palestinos; 30% por beduínos – jordaniana da gema, só a Família Real. Consciente disso, o próprio Yasser Arafat afirmou em 1974 a um jornal americano: “What you call Jordan is actually Palestine” [O que você chama de Jordânia é, na verdade, Palestina] - ver entrevista ao jornal New Republic.

Terá sido este o motivo da guerra civil entre jordanianos e palestinos, em 1970?

 

Como o conflito jordaniano-palestino começou

Segundo estudos do governo americano sobre a Jordânia, os palestinos foram um fator complicador do processo político jordaniano desde a anexação da Cisjordânia, em 1950. Os jordanianos temiam que os numericamente preponderantes palestinos pudessem emergir como força dominante em uma disputa política livre. Durante muitos anos, os palestinos se opuseram abertamente ao absolutismo monárquico de Hussein e exigiam igualdade e participação proporcional no processo político. As frustrações palestinas sob o regime de Hussein, sobretudo na década de 1960 e início dos anos 1970, forneceram um terreno fértil para a simpatia e apoio da população palestina à OLP. 

Segundo Joseph Nevo, Ph.D. pela Universidade de Tel Aviv e professor do Departamento de História do Oriente Médio na Universidade de Haifa, as raízes do confronto entre palestinos e jordanianos remontam a 1965, após o estabelecimento da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

As coisas pioraram após a vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias sobre as forças árabes, em 1967, quando os egípcios perderam a península do Sinai, e os jordanianos e os grupos guerrilheiros palestinos baseados na Cisjordânia - que havia sido anexada pela Jordânia, em 1950-, recuaram para o território jordaniano. O poder do rei Hussein se enfraqueceu por causa da derrota, e os cada vez mais radicalizados grupos palestinos, principalmente a OLP e a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), passaram a ameaçar seu trono.

A estrutura palestina na Jordânia foi criada para demonstrar que eles não eram dependentes dos serviços e institutos do Estado e, portanto, não estavam sob a autoridade do Estado. Os palestinos tinham sua própria força policial, tribunais, prisões, bem como sistema de educação, serviços sociais e de saúde (escolas, ambulatórios e hospitais). Também criaram estações de rádio e jornais independentes.


Guerrilheiros palestinos patrulham as ruas de Amã, em 1970. Foto: Divulgação.


Ao mesmo tempo, atacavam Israel para obter reconhecimento no mundo árabe para suas reivindicações nacionais. Após a Guerra dos Seis Dias, o líder da OLP, Yasser Arafat, transferiu cerca de 40 mil guerrilheiros para bases na Jordânia, um verdadeiro Estado dentro do Estado, e os palestinos passaram a falar abertamente em derrubar o rei Hussein.

Em novembro de 1968, Hussein tentou restabelecer sua autoridade. Realizou um acordo com as organizações palestinas, composto de sete pontos, que proibiam aos membros dessas organizações de: 1) circular armados e fardados; 2) parar veículos civis a fim de realizar buscas; 3) recrutar jovens aptos a servir no exército jordaniano. Além disso, os palestinos eram obrigados a:  4) carregar documentos de identidade jordaniano; 5) utilizar placas jordanianas nos seus veículos. Por fim, 6) crimes cometidos por membros das organizações palestinas deveriam ser investigados pelas autoridades jordanianas; 7) as disputas entre as organizações palestinas e o governo seriam resolvidas por um conselho conjunto de representantes do rei e da OLP. 

Entretanto, o acordo não teve efeito: as organizações palestinas continuaram a acumular poder na Jordânia. De 9 a 16 de junho de 1970, houve enfrentamentos sangrentos entre o exército jordaniano e as guerrilhas palestinas, com mais de 1.000 mortos.

Em 10 de julho, o rei Hussein assinou um acordo com Arafat prometendo apoio à causa palestina, não interferência nas incursões palestinas contra Israel, em troca da promessa palestina de aceitar a soberania jordaniana e retirar a maioria dos guerrilheiros de Amã, capital da Jordânia.

 

Aumento da tensão leva ao Setembro Negro

Depois da derrota na Guerra dos Seis Dias, o Egito iniciou a chamada Guerra de Atrito contra Israel, entre 1968-1970, ao longo das linhas de cessar-fogo de 1967. Grupos palestinos se juntaram ao Egito e lançaram ataques a Israel do próprio Egito, Jordânia e Líbano.

No entanto, em agosto de 1970, o presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, concordou em um cessar-fogo com Israel, sendo apoiado pelo rei Hussein.

Assim, o acordo entre Hussein e os palestinos, que tinha sido feito apenas um mês antes, não funcionou: a “causa palestina” perdeu poder de fogo, e o líder da FPLP, George Habash, prometeu que transformaria o Oriente Médio em um inferno.

Numa escalada de violência, o rei Hussein sofreu três tentativas de assassinato, entre 9 de junho e 1º de setembro. Entre 6 e 9 de setembro de 1970, os guerrilheiros da FPLP sequestraram cinco aviões de diversas companhias aéreas. Destes, um foi recuperado, outro explodido no aeroporto do Cairo, e outros três desviados para o deserto da Jordânia, onde foram explodidos no dia 12 de setembro.

Avião sendo explodido pelos palestinos no deserto jordaniano. Reprodução.

 

Os sequestradores palestinos foram cercados no deserto por unidades do exército jordaniano. Arafat tentou libertar os reféns, mas antes havia incitado os guerrilheiros da OLP contra a monarquia jordaniana. Hussein, em resposta às ações palestinas, ordenou a 50 mil homens de seu exército a expulsão dos palestinos de seu reino.

 


Quartel palestino em Irbid, noroeste da Jordânia, em setembro de 1970. Foto: AFP / East News.


O que começou como luta interna tornou-se internacional. Forças sírias lançaram uma invasão malsucedida no norte da Jordânia, em apoio à OLP. Tanto os Estados Unidos como Israel ameaçaram intervir, sinalizando o seu apoio ao regime hachemita. Essa perspectiva forçou os sírios a se retirarem.

O chefe de uma missão de treinamento militar do Paquistão, que atuava então na Jordânia, brigadeiro Muhammad Zia-ul-Haq, desempenhou um papel fundamental no planejamento da ofensiva de Hussein. Alguns anos mais tarde, ele viria a se tornar o presidente do Paquistão.

No final de setembro, Hussein e Arafat participaram de uma reunião de emergência com líderes árabes no Cairo. O encontro culminou com a assinatura de um cessar-fogo que reconheceu o direito das organizações palestinas, apoiadas pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, de operar na Jordânia, com o controle temporário sobre três cidades: Irbid, Ramtha e Jarash. Entretanto, apenas alguns dias após a assinatura do acordo, Nasser morreu de um súbito ataque cardíaco. Como resultado, a OLP perdeu sua proteção, e Hussein retomou os ataques. As batalhas sangrentas duraram 10 meses. Com medo de serem mortos pelos jordanianos, 72 guerrilheiros palestinos fugiram para a Cisjordânia e se entregaram ao Exército de Israel.


Rei Hussein, na frente de batalha em Amã, tenta restaurar a ordem no reino. Foto: Divulgação.

 

Números de mortos

Não há dados oficiais sobre o número de mortos no Setembro Negro – e aparentemente, ninguém se preocupa muito em pesquisá-los – pelo contrário... Yasser Arafat afirmou que o exército jordaniano matou 25.000 palestinosFontes paquistanesas mantêm o número relatado por Arafat.

As fontes acadêmicas falam de pelo menos 20 mil mortos.

Em “Civil wars in the twentieth century” [University Press of Kentucky, 1972], o professor Robin Higham, PhD da Universidade de Harvard, afirma que os eventos na Jordânia em setembro de 1970 tiveram pelo 20 mil palestinos mortos, o que ficou barato diante da perspectiva de a guerra envolver também Israel e EUA, o que não ocorreu.

Joseph Nevo, em “September 1970 in Jordan: A Civil War?”, na revista Civil Wars, Volume 10, 2008 - Issue 3, cita o mesmo número.

Ted Thornton, com mestrado de História pela Universidade de Massachusetts, em “History of the Middle East Database- the Arab-Israeli Wars - 1948 – 1973” mantém o número de 20 mil.

Em “State of Israel. Its Friends and Enemies. Prophetic Future”, Alexander Zephyr situa o número entre 10 mil e 25 mil.

Gowers e Walker, em “Behind the Myth Yasser Arafat and the Palestinian Revolution” (1990), também citam o número de 20 mil mortos como referência.

A insuspeita rádio pan-arabista egípcia Voice of the Arabs, controlada pelo então presidente Nasser, falou em “genocídio”.

O general Moshe Dayan, herói da Guerra dos Seis Dias, comentou que o rei Hussein matou mais palestinos no Setembro Negro do que todos aqueles poderiam morrer em 20 anos de guerras contra Israel - citado por Tariq Ali, em “The Duel: Pakistan on the Flight Path of American Power”.

Diante de todos estes dados, a Wikipédia estabeleceu primeiramente o número de mortos no Setembro Negro em uma faixa absolutamente extensa, de 3.400 a 20 mil, citando uma fonte acadêmica e Arafat. Posteriormente, de forma misteriosa, o número foi “revisado” e passou a considerar somente a referência mais conservadora, de 3.400 mortos. A questão é que os números do “genocídio” palestino no Setembro Negro podem atrapalhar a propaganda que afirma que é Israel quem comete “genocídio” contra os palestinos.

 

Apagando a história

O antes e o depois: na imagem da esquerda, da Wikipédia, o número de palestinos mortos pode chegar a 20 mil; na imagem da direita (no ar em outubro de 2016), SEM QUE TENHAM MUDADO AS FONTES CITADAS, o numero de palestinos mortos “cai” para 3.400.

O antes e o depois na Wikipedia.

 

Depois de Setembro

O período que se seguiu entre o acordo de cessar-fogo e junho de 1971 foi caracterizado pela volta das tensões entre palestinos e jordanianos. Em 5 de junho de 1971, palestinos pediram na Rádio Bagdá a deposição do rei Hussein, pois para eles essa seria a única maneira de evitar a assinatura de um acordo de paz entre Israel e Jordânia.

Neste mesmo mês, o rei Hussein lançou sua última campanha contra os palestinos. O exército jordaniano, que por quase 10 meses vinha expulsando as organizações palestinas para fora das grandes cidades, usou grande força para expulsá-los também das regiões montanhosas das cidades de Jerash e Ajloun, no norte da Jordânia, onde cerca de 3.000 guerrilheiros palestinos estavam entrincheirados.


Hussein encontra Arafat em 12 dezembro de 1970, depois do Setembro Negro. Arafat consegue sorrir. Foto: Divulgação.

 

O primeiro-ministro jordaniano, Wasfi al-Tel, expulsou os palestinos do país em julho de 1971, em resposta a rumores de que a OLP estava planejando formar um governo no exílio. Após a expulsão, os guerrilheiros seguiram para o norte para Síria. No entanto, a Síria não estava disposta a arriscar um conflito com Israel. Assim, os militantes acabaram se estabelecendo no Sul do Líbano.

Quatro meses depois, Tel foi assassinado no Cairo por quatro membros da organização terrorista palestina Setembro Negro, criada depois do fim do conflito, para vingar as perdas dos palestinos na Jordânia. A expressão "Setembro Negro" refletia o sentimento dos palestinos frente ao massacre que sofreram na Jordânia. Apesar de refletir o ponto de vista palestino, passou a ser usada internacionalmente para se referir à guerra civil.

Mas mesmo com esse sentimento palestino de vingança, “a guerra civil não impactou a relação entre jordanianos e a população palestina”, segundo Joseph Nevo. “Estes eram cidadãos jordanianos com gozo dos direitos legais completos, em pé de igualdade com os seus compatriotas jordanianos”. Na mesma linha, Musa Braizat, ex-embaixador jordaniano na Turquia, afirma em “The Jordanian-Palestinian Relationship: The Bankruptcy of the Confederal Idea”, que os confrontos ente a Jordânia e a OLP não causaram ruptura nas relações entre jordanianos e a população palestina. 

 

Consequências de longo prazo do conflito

Com a expulsão da Jordânia, a OLP perdeu sua principal base de operações, e os guerrilheiros se estabeleceram no sul do Líbano. A presença da OLP e a intensificação dos desentendimentos com Israel geraram uma tensão no país.

Muitos militantes entraram no Líbano, vendo-o como a base mais adequada para o lançamento de ataques contra Israel. As guerrilhas se aliaram com organizações libanesas de esquerda, ou formaram novos grupos de esquerda, recebendo o apoio da comunidade muçulmana libanesa, o que aumentou a fragmentação no corpo político libanês. Confrontos entre os palestinos e grupos da direita libanesa, bem como demonstrações de força dos guerrilheiros ocorreram durante a segunda metade de 1971. A OLP, por meio de Arafat, manteve contato com os principais líderes libaneses, que buscavam estabelecer limites aceitáveis da atividade guerrilheira no Líbano, no âmbito do Acordo do Cairo, de 1969. 

Com a mudança de sua sede para Beirute, a OLP recrutou novos membros nos campos de refugiados palestinos. O sul do Líbano foi apelidado de "Fatahlândia" devido à predominância da organização Fatah, de Yasser Arafat. Com o seu próprio exército a operar livremente no Líbano, a OLP criou novamente um Estado dentro do Estado. Em 1975, mais de 300 mil palestinos viviam no Líbano.

Os guerrilheiros da OLP apoiaram em peso o Movimento Nacional Libanês, uma coalizão de muçulmanos, árabes nacionalistas e esquerdistas que se opunham à direita e ao presidente cristão, Camille Chamoun, que também era contrário à presença palestina no Líbano. Assim, a OLP ajudou a deflagrar a Guerra Civil do Líbano, em 1975.

Em 1982, uma onda de ataques da OLP a partir do sul do Líbano em direção a Israel levou à chamada Primeira Guerra do Líbano, As Forças de Defesa de Israel invadiram o país com o objetivo de parar os ataques. Com o apoio de milícias libanesas, Israel chegou até a capital do país. Após dois meses de intensos bombardeios israelenses, foi negociada a retirada da OLP de Beirute.       

A invasão resultou na partida da OLP para a Tunísia. A criação da zona de segurança no sul do Líbano beneficiou a população civil israelense, como a região da Galileia, que sofreu um número menor de ataques violentos (dezenas de civis mortos), do que na década de 1970 (centenas de vítimas civis israelenses). Apesar do sucesso na erradicação das bases da OLP e da retirada parcial das forças em 1985, a invasão israelense aumentou a severidade dos conflitos com milícias libanesas, o que resultou na consolidação de movimentos xiitas locais, incluindo o Hezbollah, fundado em 1985, e o Amal, movimentos de guerrilha anteriormente desorganizados do sul do país.

Ao longo dos anos, as baixas nos dois lados cresceram com a utilização de armas mais modernas, e o progresso das táticas militares do Hezbollah. Na década de 1990, o Hezbollah com o apoio da Síria e do Irã, emergiu como grupo líder e maior força militar, monopolizando a direção da atividade guerrilheira no sul do Líbano.

Para o rei Hussein da Jordânia, a consequência foi política. Ele foi difamado em todo o mundo árabe por ter atacado a resistência palestina e, embora tivesse evitado a destituição do seu trono, sua legitimidade sofreu um duro golpe entre os refugiados palestinos e a população árabe.

Last, but not least, o terrorismo internacional teve um de seus atos inaugurais, marcado também na História como um dos mais covardes e brutais: o assassinato de 11 atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, em 1972, pelo grupo... “Setembro Negro”.


Um terrorista da Organização Setembro Negro na varanda dos quartos da equipe olímpica israelense, em Munique, 1972. Foto: Divulgação.





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