17 de novembro de 2017 English Español עברית

Conib Logo

Livro sobre combatentes brasileiros judeus na Segunda Guerra Mundial será lançado na Argentina

05 Mai 2017 | 14:37
Imprimir

Foram 42 os combatentes brasileiros judeus na Segunda Guerra Mundial. Destes, 25 eram da FEB-Força Expedicionária Brasileira e lutaram na Itália; quatro eram do Exército e atuaram na defesa do litoral brasileiro; quatro eram da Marinha; três, da FAB; e seis, da Marinha Mercante.

O livro “Soldados que vinieron de lejos: los 42 héroes brasileños judíos de la Segunda Guerra Mundial”, de Israel Blajberg, conta sua história. Publicada em 2008 e já lançada em diversas capitais brasileiras, a obra terá lançamento na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, no dia 8 de maio, com a presença do embaixador do Brasil, Sérgio Danese, e o presidente da DAIA, Ariel Cohen Sabban.

O livro traz uma minibiografia de todos os combatentes e é fartamente ilustrada. Blajberg é membro da comissão organizadora do Conselho Internacional de História Militar Rio 2011. O prefácio foi escrito pelo presidente da Conib, Fernando Lottenberg (leia abaixo o texto na íntegra)

 

Prefácio da obra, por Fernando Lottenberg:

Uma história fascinante

A declaração de guerra ao Eixo e o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Itália, em 1944, foram passos decisivos na História do Brasil.

O país tomou posição e respondeu com vigor às repetidas agressões que vinha sofrendo dos nazifascistas, contribuindo ativamente para o esforço de guerra aliado.

Em fevereiro e agosto de 1942, navios mercantes brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães, provocando no país indignação generalizada: manifestações de rua, em campanha desenvolvida pela União Nacional dos Estudantes e pela Liga de Defesa Nacional, passaram a exigir a declaração de guerra.

Em agosto, caiu por terra a neutralidade do Brasil, primeiro com a declaração de rompimento das relações diplomáticas, no dia 22 e, em seguida, com a declaração do estado de guerra contra a Alemanha e a Itália, por meio do Decreto nº 10.358, do dia 31.

Entre os mais de 30 mil soldados que integraram as forças de terra, mar e ar enviadas à Itália, pelo menos 42 eram judeus brasileiros, natos ou naturalizados.  No seu livro “Soldados que vieram de longe”, Israel Blajberg nos relata a saga desses brasileiros.

O escritor destaca, com muita razão, a multiculturalidade que marcou a FEB; nas forças armadas brasileiras não havia, e continua não havendo até hoje, qualquer distinção étnica ou religiosa. Que é o traço fundamental da identidade nacional brasileira.

Em geral, os jovens soldados só se conheceram depois que envergaram os uniformes militares. Afinal, seus pais e avós eram imigrantes de diferentes origens, como Marrocos, Polônia, Bessarábia, Oriente Médio.

Nesse livro, Blajberg faz um registro minucioso e empolgante da história da maioria desses 42 jovens. Na Europa, os soldados judeus, se fossem capturados, correriam um risco maior que os seus companheiros, e as razões todos conhecemos.

Identidade e cidadania, assim se expressou o judaísmo brasileiro.

Esses rapazes viriam a se tornar escritores, artistas, professores, profissionais liberais, líderes comunitários. Nomes como o artista plástico Carlos Scliar - que publicou um Álbum de Guerra - e o escritor Boris Schnaiderman, autor de “Guerra em Surdina”, um romance-testemunho.

A comunidade judaica brasileira também aderiu às campanhas da FEB em prol do esforço de guerra, e doou cinco aviões para a Aviação Militar, criada em 1942. Os judeus organizaram e operaram diversos comitês de auxílio aos refugiados, alguns ligados à Cruz Vermelha.

É mesmo uma história fascinante, essa que agora chega aos leitores de língua espanhola.


Vitória e cidadania

Segundo Blajberg, os brasileiros estiveram presentes na guerra contra o Reich em todas as frentes: na defesa do litoral brasileiro, na campanha antissubmarinos e na proteção de comboios no Atlântico Sul, além de, é claro, no chamado Teatro de Operações Europeu. A guerra custou a vida de 454 soldados.

As consequências da campanha brasileira na vitória na Europa foram sentidas também em nossa política interna, e de certa forma levaram a mudanças profundas na própria vida dos brasileiros. Com efeito, a participação do país na guerra tornou evidente a contradição vivida pelo Estado Novo de Vargas, que enviava tropas para lutar pela democracia no exterior, mas internamente mantinha um regime ditatorial.

Assim, o retorno dos contingentes da FEB precipitou a queda da ditadura em 1945, quando teve início uma nova fase da história republicana brasileira, oficializada pela Constituição de 1946.


Renascimento

A família de Israel Blajberg viveu durante séculos na Polônia. “Sob a árvore frondosa do judaísmo na Polônia sofrida”, como registrou a historiadora Helena Lewin. Quase abatida durante o Holocausto, essa árvore renasceu em outras terras, especialmente no Brasil.

O próprio Israel destaca: “Vir ao Brasil foi a sorte do meu pai”. Com efeito, Abram foi o mais bem-sucedido entre 12 filhos. Dois deles eram casados, e não conseguiram sair da Polônia; acabaram morrendo na Shoá. Outro irmão foi para San Diego, nos Estados Unidos. Quatro deles foram para a então Palestina e construíram suas vidas lá. “Os outros morreram na infância”, relata Israel.

No Rio, Abram viveu em diferentes lugares, desde pensionatos na Ilha das Flores até sobrados no Centro.

Israel já tinha passado dos 50 anos quando seu pai morreu. Além do luto, teve que lidar com o desconforto de saber pouco sobre a trajetória de seus pais.

Assim, iniciou uma extensa pesquisa que continua até os dias de hoje - narrando não somente a saga de sua família, mas também a da comunidade judaica polonesa.

“Meus pais gostavam muito do Brasil. Agradeciam por estarem aqui. Íamos ao Campo de Santana, e eu corria atrás das cotias. Era uma diversão. Lembro de uma vez que nos levaram até o Recreio dos Bandeirantes, e parecia outro mundo. O Rio se tornou a casa deles e a nova casa de nossa família”.





Comentários


Últimas do blog

Vídeos