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Secretaria de Educação do Estado do Rio apura apologia ao nazismo em escola estadual

13 Nov 2017 | 17:01
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[Atualizada em 16 de novembro]

A Secretaria de Educação do Estado do Rio abriu sindicância para apurar apologia ao nazismo no Centro Interescolar Estadual Miécimo da Silva, localizado em Campo Grande, na zona oeste do município do Rio de Janeiro.

O advogado Paulo Maltz, ex-vice-presidente da Conib, ex-presidente e atual diretor da Fierj, se reuniu nesta segunda-feira (13) com o secretário de Educação Wagner Victer, para tratar do caso.

"A Secretaria de Estado de Educação afirmou que repudia veementemente qualquer tipo de orientação ou apologia que enalteça o nazismo, que induza ao preconceito ou discriminação, que viole os direitos humanos e que vá contra aos princípios previstos na Legislação Brasileira", escreveu o órgão em nota, segundo o jornal O Globo.

Em fotos publicadas em redes sociais, alguns alunos aparecem vestidos de médicos com o símbolo nazista no jaleco e outros encenam ser vítimas do Holocausto, com o corpo coberto de tinta vermelha. No saguão da escola, uma faixa com os dizeres "laboratório nazista".

As informações sobre a atividade chegaram à Secretaria por meio de uma solicitação da Fierj. Além de instaurar a sindicância, o órgão decidiu afastar temporariamente a professora que coordenou o trabalho. A pasta também notificou o Facebook para retirar do ar uma publicação feita por um dos alunos sobre a exposição.

Maltz contou que as fotografias foram recebidas pelo canal de denúncias anônimas mantido pela Federação, por isso o caso ainda está sendo apurado antes que medidas legais sejam tomadas.

“O colégio tem alunos e professores de origem judaica, que fotografaram o estande e fizeram a denúncia”, disse Maltz. “Qualquer propaganda nazista é proibida no Brasil. É considerada crime pela lei. Nós estamos estudando outras medidas de caráter legal, mas precisamos apurar melhor os fatos, até por envolver menores de idade”.

O grêmio do Centro Interescolar Estadual Miécimo da Silva publicou a seguinte nota, assinada por seu presidente, Alvair Simons.

“Não compactuamos e repudiamos quaisquer atos de discriminação, genocídio, bullying, agressões físicas, verbais ou psicológica, tal como qualquer Instituição, pessoa física ou pessoa pública, que reproduza discursos velados e/ou vedados em preconceito (…)”.

“É preciso lembrar e discutir para que não se repita, pela onda crescente de grupos autodeclarados neonazistas na conjuntura mundial (…) Os acontecidos do Holocausto são feridas recentes com menos de 100 anos, que ainda estão a cicatrizar. Reconhecendo tamanha dor da Comunidade Israelita, deixamos claro a nossa solidariedade e as nossas sinceras desculpas àqueles que se sentiram ofendidos de alguma forma pelas fotos tiradas fora de contexto” (...)

“Como todos os projetos que fazemos, gostamos de trazer uma contextualização para tornar mais real. Nesse caso específico, para os experimentos que aconteceram durante o nazismo. Eu me reuni com a turma e também com pessoas que tiveram a oportunidade de assistir à apresentação e todos tiveram o mesmo posicionamento e impressão. Para eles, o intuito do trabalho era mostrar os horrores que os nazistas fizeram em nome da medicina, mostrando o retrocesso criado por eles e também que não houve absolutamente nada benéfico nos experimentos realizados durante o nazismo”.

 


Wagner Victer e Paulo Maltz, no centro da foto. Foto: Divulgação.

Ambiente da feira de ciências. Foto: Divulgação.





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