O Irã adverte que cortará ainda mais os compromissos nucleares entre “hoje e amanhã”

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que anunciará um novo passo na redução dos compromissos nucleares do Irã até quinta-feira, apesar do esforço diplomático de países europeus para aliviar o peso das sanções impostas pelos EUA a Teerã e tentar salvar o pacto nuclear assinado em 2015 com o país.

“Não acho que chegaremos a um acordo, então daremos o terceiro passo e anunciaremos os detalhes entre hoje e amanhã”, disse Rouhani em declarações publicadas hoje no site da presidência. “O terceiro passo do Irã é de natureza extraordinariamente significativa”, disse.

O Irã e três países europeus – Grã-Bretanha, França e Alemanha – estão em negociações para salvar o acordo de 2015. Os esforços estão sendo liderados pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que tenta convencer os EUA a oferecer ao Irã algum tipo de alívio das sanções impostas desde sua retirada do pacto, no ano passado.

Rouhani reconheceu, contudo, que diminuíram as divergências do Irã com países europeus. “Se antes tínhamos 20 questões em desacordo com os europeus, hoje temos apenas três”, disse o presidente iraniano. “A maioria delas foi resolvida, mas ainda não chegamos a um acordo final”.

Rouhani e o vice-ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, manifestaram dúvidas de que a Europa conseguirá salvar o acordo nuclear entre Teerã e as potências mundiais.

As sanções dos EUA restringiram as exportações de petróleo do Irã e fizeram sua economia cair em queda livre, enquanto o que restava do acordo se desfazia progressivamente.

Ao mesmo tempo, as tensões atingiram o Golfo Pérsico devido a misteriosas explosões de navios-tanque, o abate de um drone militar dos EUA pelo Irã e envio de tropas, navios e aviões de guerra americanos para a região.

Sob o acordo nuclear, o Irã concordou em limitar seu enriquecimento de urânio em troca do levantamento das sanções econômicas. Mas desde a retirada dos EUA do pacto, o Irã já tomou uma série de medidas que contrariam os termos do acordo, apesar de insistir que suas inciativas não violam o documento.

A Agência Internacional de Energia Atômica confirmou na semana passada que o estoque de urânio com baixo enriquecimento do Irã ainda excede a quantidade permitida pelo acordo. A agência da ONU também disse que o Irã continua a enriquecer urânio em até 4,5%, acima dos 3,67% permitidos no acordo, mas ainda muito abaixo dos níveis de 90% necessários para a produção de armas.

Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores Mohammad Javad Zarif viajou para Moscou enquanto Araghchi foi a Paris e a outras capitais europeias para pressionar por uma solução que permita um alívio nas sanções.

Mas, ao que parece, os resultados alcançados ficarem aquém do que o Irã esperava.

“Vejo que é pouco provável que uma solução satisfatória seja alcançada com a Europa hoje ou amanhã”, disse Rouhani.

Araghchi disse que “é improvável que os países europeus possam dar um passo efetivo” antes do prazo de dois meses dado pelo Irã.

A França ofereceu ao Irã uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para compensar as perdas sofridas pelo país com as sanções impostas pelos EUA e tentar salvar o acordo nuclear. O crédito de US$ 15 bilhões compensaria a metade das vendas anuais de petróleo do Irã e aliviaria parte da pressão econômica sobre o país. A proposta foi apresentada a uma delegação iraniana em visita a Paris.

Mas Araghchi afirmou que a Europa precisa compensar o Irã no “montante de US$ 15 bilhões por em um período de quatro meses” e “depois disso, o Irã estará pronto para as negociações”.

Rouhani indicou que após o prazo de sexta-feira expirar e o Irã der o próximo passo, outro prazo de dois meses para a Europa seguirá com o objetivo de retomar as negociações. “Eles sabem o que queremos e sabemos o que eles querem”, disse Rouhani.