O pacto secreto da França nos anos 1980 com terroristas palestinos

Trinta e sete anos após o ataque de 9 de agosto de 1982, na Rue des Rosiers em Paris, em que seis pessoas foram mortas e 22 ficaram feridas em um restaurante kosher, um ex-chefe chefe da inteligência francesa admitiu perante um juiz que tinha negociado um acordo com o grupo terrorista palestino Abu Nidal, que integrava a chamada Frente Rejeicionista Palestina.

“Fizemos um acordo verbal e dissemos: ‘Não queremos mais ataques em solo francês, e em troca, vamos deixar vocês virem para a França. Garanto que nada vai acontecer com vocês. E funcionou, não houve mais ataques do final de 83, em 84 e até o final de 1985”. O comentário chocante, feito em janeiro, diante de um juiz encarregado investigar o ataque à Rue des Rosiers, foi feita por um octogenário. Yves Bonnet, ex-chefe do Departamento de Vigilância Territorial (DST), ao depor sobre o ataque a um estabelecimento judeu no coração do Marais em 1982, alguns meses antes de ele ter assumido o cargo como chefe do serviço secreto.

É a primeira vez que uma autoridade admite diante de um juiz a existência de um acordo secreto entre a França e o grupo terrorista Abou Nidal, responsável pelo ataque. Um pacto verbal ignorado por muitos investigadores e magistrados que se sucederam durante três décadas. No registro, Yves Bonnet confirma um “compromisso dado aos representantes do Abu Nidal para não serem processados na França”.

Na época, o grupo Abu Nidal era um movimento palestino armado, uma ala dissidente do Fatah, do então líder Yasser Arafat, responsável por uma série de atentados na França e no exterior durante os anos 1980.

Em 9 de agosto de 1982, uma granada foi lançada contra o restaurante Jo Goldenberg na rua Rosiers, em Paris. A explosão aconteceu quando havia quase 100 pessoas no local. Três homens entraram em seguida no restaurante disparando suas metralhadoras.

Em fevereiro de 2015, a justiça francesa emitiu ordens de captura internacionais contra os três terroristas identificados em uma investigação coordenada pelo juiz de instrução antiterrorista de Paris Marc Trévidic.