O plano de Herzog para aproximar os judeus da diáspora de Israel

O chefe da Agência Judaica, Isaac Herzog, pretende aproximar os judeus da diáspora de Israel, promovendo um diálogo entre a “maioria silenciosa” judaica e legisladores israelenses. E Herzog pretende usar a mesma estratégia que usou nas eleições de 2015, quando disputou com Benjamin Netanyahu o cargo de primeiro-ministro.

Agora, como presidente da Agência Judaica para Israel, Herzog tem a tarefa de conectar Israel com os judeus da diáspora. E ele acha que a estratégia que falhou em 2015 pode unir o povo judeu hoje.

“Um dos meus principais objetivos na vida é evitar uma divisão judaica, uma divisão irreversível”, disse ele na semana passada em entrevista ao Jewish Telegraphic Agency (JTA) em Nova York.

Herzog disse que não atribui o distanciamento unicamente à alienação de jovens judeus americanos.

“Creio que há uma maioria silenciosa, como você diz, na família que quer se relacionar, e temos que fortalecer essa ligação”.

Quando Herzog assumiu o cargo na Agência Judaica em 2018, os judeus americanos e Israel estavam se distanciando cada vez mais. Apesar das políticas pró-Israel de Trump, apenas uma minoria de judeus americanos acolheu o presidente americano.

Movimentos milenares de judeus de esquerda, como IfNotNow e Jewish Voice for Peace, foram às ruas para protestar contra a política de Israel com relação ao conflito com os palestinos. Uma pesquisa revelou que a maioria dos judeus americanos apoia Israel e desaprova suas políticas governamentais.

As organizações judaicas americanas, entretanto, sentiram-se traídas pelo congelamento de um acordo que daria mais espaço aos judeus não-ortodoxos no Muro das Lamentações.

Em 2017, a vice-ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, disse que os judeus dos EUA são “pessoas que nunca enviam seus filhos para lutar por seu país” e que “a maioria deles estão tendo vidas bastante tranquilas”. Nesta semana, o ministro israelense da Educação, Rafi Peretz, comparou a situação de assimilação na América a um “segundo Holocausto” (Veja).

Herzog vê a educação como a chave para aproximar judeus israelenses e americanos. Ele quer levar mais judeus americanos para viajar, estagiar e estudar em Israel. E ele quer que as crianças israelenses aprendam sobre a diáspora judaica na sala de aula. Ele também mencionou uma “primogenitura reversa”, que levaria os judeus israelenses a conhecer melhor a comunidade judaica americana.

Ele observou que em Israel, até mesmo os direitistas apoiam causas consideradas liberais nos Estados Unidos, como cuidados de saúde universais ou direitos reprodutivos.

A Agência Judaica funciona como a ponte entre Israel e os judeus da diáspora e uma parcela significativa de seu financiamento vem de federações judaicas e fundos comunitários. Tradicionalmente, a agência tem a tarefa de facilitar a aliá ou a imigração de judeus para Israel. Além disso, ajuda a levar programas de Israel aos judeus da diáspora e envia uma rede de emissários israelenses para países. Dentro de Israel, opera programas de ajuda à população.