“Onde há antissemitismo, ninguém mais está seguro”, diz Guterres em evento pelo Dia do Holocausto

Em evento pelo Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que o mundo não deve ignorar nem se omitir diante de episódios de antissemitismo semelhantes aos que ocorriam nos anos 30. “Precisamos nos levantar contra o crescente antissemitismo”. “A situação do antissemitismo não é apenas forte – está piorando”, disse Guterres em evento na ONU pelo Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. “É necessário disparar um alarme”, disse ele. O massacre de três meses atrás na sinagoga Tree of Life, em Pittsburgh – em que 11 pessoas foram mortas no pior ataque antissemita da história dos EUA – por um atirador que gritava “todos os judeus devem morrer” estava de acordo com a “defesa de ataques violentos por neonazistas”, alertou Guterres. “Inevitavelmente, onde há antissemitismo, ninguém mais está seguro”, disse. “Em todo o mundo, estamos vendo um aumento preocupante de outras formas de intolerância”.

Guterres citou pesquisas que mostram um aumento de incidentes antissemitas nos Estados Unidos – com crescimento de 57% em 2017, segundo a Liga Antidifamação – e na Europa – segundo a Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia 28% dos judeus sofreram no ano passado alguma forma de constrangimento ou agressão apenas por ser judeu.

Guterres instou o mundo a não “ignorar as semelhanças” entre o discurso político e os ataques contra judeus e outras minorias hoje e nos anos 1930.

O chefe da ONU apontou tentativas de reescrever a história do Holocausto, durante a qual 6 milhões de judeus e muitos outros foram assassinados pelas forças de Adolf Hitler durante a ocupação nazista da Europa na Segunda Guerra Mundial. Ele alertou ainda que o movimento neonazista está crescendo no mundo, recrutando pessoas insatisfeitas e com experiência militar.

Ele também apontou ataques e perseguições contra muçulmanos em vários países: em Mianmar, contra os Rohingya; no Iraque, contra a minoria yazidi, e em outras partes do mundo, “simplesmente por serem eles quem são”.

“A intolerância hoje se espalha na velocidade da luz através da internet e das mídias sociais”, advertiu Guterres. “E o mais perturbador é que o ódio está presente tanto nas democracias liberais quanto nos sistemas autoritários”.