Palestino que salvou crianças judias de ataque terrorista recebe casa e benefícios em Israel

Forçado a fugir da Cisjordânia após ameaças de morte por ter resgatado crianças judias de um ataque terrorista em que o pai delas foi assassinado – o rabino Miki Mark, em 2016 -, um palestino, cujo nome não foi revelado, recebeu casa para morar com sua esposa e filho, autorização de trabalho e benefícios sociais.

O ministro do Interior, Aryeh Deri, entregou as chaves da casa nesta terça-feira ao palestino que salvou os filhos do rabino Miki Mark, morto em ataque terrorista na Cisjordânia. A esposa do rabino e dois de seus filhos adolescentes ficaram feridos no ataque a tiros no carro em que viajavam. O palestino e sua esposa entraram no carro e resgataram as crianças, prestando os primeiros socorros e chamando a ambulância.

O líder dos assentamentos da Cisjordânia, Yossi Dagan, chefe do Conselho Regional de Samaria, disse à Autoridade Palestina, que a concessão de moradia ao palestino é “a coisa moral e justa a ser feita por um homem que arriscou sua vida para salvar judeus”.

Há três anos, o palestino descreveu o que aconteceu no local do ataque terrorista. O homem disse que retirou Tehila Mark, de 14 anos, do carro destruído. Ele disse que sua esposa, que é médica, trabalhou para estancar o sangramento dos ferimentos da adolescente enquanto ele chamava uma ambulância.

“Ela estava dizendo a eles em inglês: ‘Não tenha medo, estamos aqui para ajudá-los'” lembrou ele.

O homem disse que, em seguida, retirou do carro Pedaya Mark, de 15 anos, e tentou acalmá-lo. “Eu peguei o menino e o abracei. Dei-lhe um pouco de água e apliquei iodo no ferimento e disse a ele que tudo ia ficar bem”. “Não importa para mim se foi um acidente ou um ataque terrorista, isso é irrelevante. São pessoas, crianças, que precisavam de ajuda e eu estava por perto e resolvi ajudá-los”.

“A menina chegou a me dizer: ‘Deus enviou um árabe para nos ajudar'”, acrescentou.

Depois de sofrer ameaças por ter salvo crianças judias, o palestino recebeu visto provisório de permanência, renovado em 2018, mas ainda não podia trabalhar em Israel e, após sua situação ter sido revelada em programa do Canal 12, israelenses, incluindo líderes de colonos, se mobilizaram para ajuda-lo, cobrando das autoridades uma atenção para o seu caso.