Papa Francisco anuncia abertura de arquivos secretos do pontificado de Pio XII durante 2ª Guerra Mundial

O Papa Francisco anunciou nesta segunda-feira (4) que os arquivos secretos do Vaticano sobre o pontificado de Pio XII, que inclui o período da Segunda Guerra Mundial, serão abertos e divulgados em março de 2020. Os arquivos são mantidos em segredo desde 1939 e sua abertura é uma reivindicação antiga de muitos grupos judaicos.

“A abertura dos arquivos que revelarão a verdade sobre a postura do Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial é uma atitude imprescindível para o avanço do diálogo entre a Igreja e a comunidade judaica”, afirmou o rabino Michel Schlesinger, representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo inter-religioso.

Também o Comitê Judaico Americano (AJC, na sigla em inglês), uma das maiores organizações judaicas dos Estados Unidos, celebrou a abertura dos arquivos anunciada pelo Vaticano e classificou a decisão como um gesto “imensamente importante para as relações judaico-católicas”.

“Por mais de 30 anos, o AJC pediu a abertura completa dos arquivos secretos do Papa Pio XII para esclarecer suas atividades como pontífice durante a Segunda Guerra Mundial”, disse a organização em comunicado.

“A Igreja não tem medo da História – disse o papa. “Assumo esta decisão certo de que a pesquisa histórica séria e objetiva saberá avaliar, sob a luz da Justiça, com as críticas apropriadas, os momentos de exaltação deste Papa e, sem dúvida, também, os momentos de sérias dificuldades, decisões atormentadas, prudência humana e cristã”.

De acordo com Francisco, as decisões de Pio XII “poderão parecer para alguns como uma relutância, mas foram, de fato, tentativas (…) de manter, em tempos de profunda escuridão e crueldade, a pequena chama de iniciativas humanitárias, da diplomacia oculta, mas ativa”.

Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli foi escolhido pontífice em 2 de março de 1939 e comandou a Igreja Católica até 9 de outubro de 1958, data de sua morte. Para muitos judeus, o pontífice fechou os olhos para o Holocausto ao não rechaçar energicamente o que estava acontecendo. O Vaticano, entretanto, afirma que Pio XII agiu nos bastidores para salvar os judeus e não piorar a situação. Os arquivos serão divulgados no próximo aniversário de sua eleição, em 2020.

No passado, diferentes associações e o Comitê Judaico Internacional para as Consultas Inter-religiosas solicitaram o acesso aos arquivos do Vaticano, especialmente após o início do processo de beatificação de Pio XII. Muitos o criticaram, alegando que ele se omitiu diante dos crimes do nazismo, quando a poucos metros do Vaticano, em 1943, 1.022 pessoas foram deportadas para Auschwitz.