Pequena, comunidade do Amapá entra em evidência com eleição de Davi Alcolumbre

“Somos uma grande família”. É assim que a professora aposentada Sol Elarrat Canto, presidente do Comitê Israelita do Amapá, filiado à Conib, define a comunidade judaica local. Pequeno, ela calcula que o grupo some atualmente cerca de 50 pessoas. Por conta da eleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado, a pacata comunidade subitamente foi colocada em evidência. “A família Alcolumbre é atuante”, conta a presidente.

Embora pequena, a presença judaica no Amapá é antiga. As primeiras famílias de origem sefaradita, de judeus oriundos do Marrocos, chegaram no século XIX. Macapá era um município pertencente à jurisdição do Estado do Pará. Em 1943, passou a ser parte do Território Federal do Amapá e transformou-se em Estado em 1988.  Segundo dados do Comitê, a cidade recebeu, entre seus primeiros judeus, as famílias Peres, Zagury, Alcolumbre, Bemergui, Ellarat, Gabay, Barcessat, Cohen, Sananiz, entre outras.

Hoje, as atividades sociais e religiosas se concentram na nova sede do Comitê, que abriga também a recém-inaugurada (em outubro de 2018) e única sinagoga local. “ A casa foi dada pela família Alcolumbre. Foi um tio do Davi, Pierre (que ocupa a vice-presidência do Comitê), quem cedeu a casa e ela foi transformada em uma sinagoga marroquina. Não temos rabino aqui, mas os rabinos Michel Pazuello e Almescany vêm de Belém. A comunidade costuma se reunir na sexta-feira para o shabat”, conta Sol, que chegou a Macapá em 1950, vinda de Belém, para dar aulas. A professora casou, teve cinco filhos e se estabeleceu na cidade. “Meus filhos não estão aqui. Tenho um em Israel e os demais espalhados pelo Brasil”, explica ela, que tem 87 anos.

Sol narra que a vida corre com tranquilidade. Que as atividades se dão em torno do calendário festivo judaico e que, agora, o Comitê começa a pensar na organização também de uma agenda cultural. Macapá não tem colégio, mas possui cemitérios, enumera Sol.

Sobre o seu membro ilustre, a presidente fala: “Davi está estabelecido em Brasília, é um grande amigo nosso. Sua família, que é muito grande, se faz presente hoje especialmente por dois de seus sobrinhos, Alberto e André Alcolumbre”.

A sinagoga de Macapá