Pesquisa: 73% dos judeus americanos se sentem “menos seguros” do que há dois anos

Quase três quartos dos eleitores judeus americanos acreditam que estão “menos seguros” do que há dois anos, segundo pesquisa divulgada pelo veterano especialista em pesquisas eleitorais Stan Greenberg.

Na esteira dos tiroteios mortais nas sinagogas em Pittsburgh, na Pensilvânia, e em Poway, na Califórnia, 73% dos judeus disseram que se sentiam menos seguros, enquanto 60% disseram achar que o presidente Donald Trump “tem pelo menos alguma responsabilidade” por esses ataques. Setenta e um por cento disseram que desaprovam a forma como Trump lidou com o antissemitismo.

As descobertas mais recentes surgem no momento em que o extremismo de direita e a ideologia da supremacia branca nos Estados Unidos parecem estar em alta, com incidentes mortais antissemitas em uma alta histórica. A Liga Anti-Difamação listou em levantamento recente 1.879 incidentes antissemitas ocorridos no ano passado, incluindo 39 com relatos de agressões físicas.

A última pesquisa foi encomendada pelo Instituto Eleitoral Judaico (Jewish Eleitorate Institute – JEI), uma organização sem fins lucrativos que estuda as tendências do voto judaico-americano, antes da eleição de 2020.

Com base em uma amostra de 1.000 eleitores judeus, a pesquisa concluiu que a esmagadora maioria dos judeus dos EUA se importava mais com questões políticas e políticas domésticas do que com Israel, que apareceu no fim da lista de 16 maiores prioridades dos eleitores.

As questões que mais preocupam os eleitores judeus, segundo a pesquisa, são saúde, segurança em relação a armas e “combater a influência da supremacia branca e da extrema-direita”.

Trump fez de Israel uma das principais prioridades da política externa, transferindo a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém, cortando a ajuda à Autoridade Palestina e fechando os escritórios da Organização de Libertação da Palestina em Washington. Sua equipe encarregada de tentar intermediar um acordo de paz israelo-palestino deve divulgar sua proposta tão esperada no próximo mês.

A Greenberg Research e o JEI conduziram a pesquisa on-line no período de 6 a 12 de maio. O trabalho tem uma margem de erro de 3,2 pontos percentuais, para cima, ou para baixo.

A pesquisa também aponta que os judeus americanos rejeitam o presidente – 71% disseram que desaprovam o desempenho geral do trabalho de Trump e 70% o vêem desfavoravelmente.

Sessenta e sete por cento dos judeus dos EUA, uma comunidade que historicamente tem estado alinhada com o Partido Democrata, disseram que votariam em um “democrata genérico” sobre Trump em 2020. Sessenta e cinco por cento disseram, especificamente, que votariam no ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden.

Em 2016, a rival de Trump, Hillary Clinton, ganhou 70% dos votos dos judeus, de acordo com uma pesquisa da GBA Strategies que foi encomendada pela J Street, um grupo liberal de defesa do Oriente Médio. Trump conquistou apenas 5% do apoio do eleitorado judeu americano.