Pittsburgh se prepara para homenagear vítimas no primeiro aniversário do massacre na sinagoga Árvore da Vida

Com um memorial virtual, um concerto no exterior e projetos de novos serviços à comunidade judaica são alguns dos planos da sinagoga Árvore da Vida, em Pittsburgh, para lembrar o ataque que matou 11 pessoas no dia 27 de outubro do ano passado, no pior atentado antissemita da história dos EUA.

O local do ataque permaneceu fechado desde o atentado. O culto das três congregações funciona em outras duas sinagogas próximas. Na semana passada, os líderes da Árvore da Vida anunciaram planos para reformar o local: um espaço reconstruído para o culto; um memorial dedicado a estudo e eventos sociais e salas de aula e exposições.
A sinagoga pretende homenagear as vítimas com a leitura de textos da Torá na mesma hora do ataque. Várias centenas de pessoas se inscreveram para se voluntariar em serviços comunitários no domingo, disse Adam Hertzman, diretor de marketing da Federação Judaica da Grande Pittsburgh.

“A ideia é lembrar das vítimas, pilares inocentes, amados e que fazem muita falta na comunidade”, disse Stephen Cohen, co-presidente da New Light, uma das três congregações presentes no dia do ataque.

O Clarion Quartet, formado por músicos da Orquestra Sinfônica de Pittsburgh, se apresentará em um evento especial na Alemanha naquele dia. As violinistas Tatjana Mead Chamis, Marta Krechkovsky e Jennifer Orchard e a violoncelista Bronwyn Banerdt foram convidadas para tocar na Academia Americana de Berlim durante a turnê europeia da orquestra.

Espera-se que milhares participem das homenagens através da rede ‘Pause With Pittsburgh’, um evento memorial virtual criado pelas Federações Judaicas da América do Norte.

As pessoas que se inscreverem no site do evento receberão uma mensagem de texto ou e-mail às 17h do domingo. Será disponibilizado um vídeo de dois minutos com os nomes das 11 vítimas, seguido de uma oração judaica de luto gravada por um cantor em Israel especialmente para lembrar a data. Também haverá um link de transmissão ao vivo para o serviço memorial público em Pittsburgh.

O autor dos disparos é Robert Bowers, 47, motorista de caminhão de Baldwin, Pensilvânia. Ele usou um rifle AR-15 e outras armas e postou críticas nas redes sociais a imigrantes, afirmando que instituições judaicas “gostam de trazer invasores que matam nosso povo”. Os promotores federais pedem a pena de morte para ele. Mas os advogados de Bowers pedem uma sentença de prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. Alguns membros da congregação se opõem à pena de morte.

Augie Siriano, um dos sobreviventes do ataque visitou o prédio há algumas semanas e disse que ficou paralisado com o que viu: buracos de bala nas paredes, portas arrombadas e cacos de vidro espalhados. “As pessoas me olharam, perguntando: ‘Você está bem?’ Fiquei em choque”, disse ele. “A cena (do ataque) é algo que nunca esquecerei”.