Polônia diz que indenizar judeus por perdas durante o Holocausto equivaleria à “vitória de Hitler”

O primeiro-ministro da Polônia, Marek Magierowski, disse neste domingo (19) que a exigência de indenizar os judeus sobreviventes do Holocausto e suas famílias pelos bens confiscados no país durante a Segunda Guerra equivaleria à “vitória de Hitler após sua morte”.

“Dizem que a Polônia tem que pagar uma restituição, mas não concordo com isso enquanto estiver no poder”, disse Magierowski em comício realizado por seu partido na cidade de Lódz. “Estamos sendo tratados de forma injusta. Somos as vítimas e somos nós que devemos ser recompensados”.

As declarações do premier vieram após tensões com Israel sobre a forma como a Polônia se refere ao Holocausto e com relação às exigências para que o país indenize judeus por propriedades confiscadas pela Alemanha nazista durante a ocupação e posteriormente nacionalizadas pelo regime comunista polonês. Os Estados Unidos também pressionaram a Polônia para que indenize judeus. O presidente Donald Trump assinou decreto há um ano, exigindo justiça e reparação para os sobreviventes do Holocausto.

A Polônia foi o lar de uma das maiores comunidades judaicas da Europa antes da Segunda Guerra Mundial. A comunidade foi praticamente exterminada depois que os nazistas invadiram a Polônia e estabeleceram campos de extermínio em seu território.

Na semana passada, a tensão entre Israel e a Polônia atingiu novos patamares depois que o embaixador polonês em Israel foi agredido por um israelense em frente ao prédio da embaixada. Magierowski classificou o ataque como “xenófobo” e “racista” e exigiu um pedido de desculpas das autoridades israelenses.

O homem de 65 anos de Herzliya, Eric Lederman, foi preso pouco depois do incidente. Lederman disse que estava andando na rua quando o veículo do embaixador buzinou para que ele saísse da rua, o que ele não aceitou de bom grado. O suspeito aproximou-se do carro e bateu no teto. Quando o embaixador começou a filmar com seu telefone, o suspeito abriu a porta do carro e cuspiu em seu rosto.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Emmanuel Nahshon, disse que o ataque está sendo investigado e que “vamos manter nossos amigos poloneses informados” sobre as investigações.

“Israel expressa sua total solidariedade ao embaixador polonês e lamenta o ataque”, disse Nahshon. “Esta é uma prioridade para nós, pois estamos totalmente comprometidos com a segurança dos diplomatas”.