Polônia veta visita de delegação israelense para discutir indenização a judeus que tiveram bens confiscados durante o Holocausto

A Polônia recusou a visita de uma delegação israelense que hoje iria a Varsóvia para discutir com autoridades polonesas o pagamento de indenizações a judeus que tiveram bens confiscados no país durante a ocupação nazista e o regime comunista.

“Nós não vamos pagar indenizações por propriedades tomadas durante a Segunda Guerra Mundial, porque nós também fomos vítimas dos nazistas”, advertiu, no sábado, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki.

No sábado, milhares de ultranacionalistas poloneses saíram em passeata pelas ruas de Varsóvia convocados pela extrema direita para rejeitar uma lei americana – Stop 447 – destinada a apoiar a restituição de bens a judeus que tiveram imóveis desapropriados na Polônia durante a ocupação nazista e o regime comunista.

A Polônia é o único dos países ex-comunistas que não tem uma legislação para resolver os conflitos derivados das expropriações realizadas no século passado.

As organizações judaicas pediram em repetidas ocasiões ao país que busque uma fórmula para indenizar cidadãos americanos sobreviventes do Holocausto e seus descendentes.

No ano passado, o Congresso dos Estados Unidos encarregou ao Departamento de Estado que investigasse os progressos de medidas de indenização em países como a Polônia.

Depois que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, pediu à Polônia que avançasse nesse campo, grupos de extrema direita reagiram com protestos diante da aproximação das eleições para o Parlamento europeu, no dia 26.

O primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki, disse que a Polônia rejeitará a indenização a vítimas da ocupação alemã pois não tem responsabilidade alguma pelo ocorrido.