Por que Rivlin escolheu Netanyahu e não Gantz?

O presidente decidiu escolher o atual premier para formar um novo governo porque, em consultas no domingo e nesta segunda-feira (23), 55 membros do Knesset recomendaram Netanyahu como primeiro-ministro, contra 54 parlamentares que manifestaram apoio a Gantz. Além disso, observou Rivlin, 10 dos 13 parlamentares da Lista Conjunta de partidos árabes que recomendaram Gantz deixaram claro que não participariam de uma coalizão com o líder do Azul e Branco.

Assim, concluiu o presidente, as chances de Netanyahu de reunir a maioria no Knesset de 120 lugares eram melhores que as de Gantz, embora o partido de Gantz tenha conquistado 33 cadeiras no Knesset, contra as 32 do Likud.

1.Rivlin acredita que Netanyahu terá sucesso?
O presidente indicou que não acredita nas perspectivas de sucesso de Netanyahu. “Não há 61 votos necessários para a formação de um governo”, disse o presidente. Rivlin disse que vê grandes dificuldades, “tanto para Netanyahu, quanto para Gantz”. Cinco meses atrás, Rivlin deu a mesma missão a Netanyahu, mas o premier não conseguiu obter o apoio da maioria, porque o partido secular Israel Nossa Casa (Yisrael Beytenu), de Avigdor Liberman, se recusou formar aliança com os aliados ultraortodoxos. O partido de Liberman novamente mantém o equilíbrio de poder entre os dois blocos rivais, e novamente se recusa a fazer uma coalizão com os ultraortodoxos. “O ato” de dar a Netanyahu a tarefa de formar um governo, disse o presidente, “não é a solução”.

2. Como Rivlin está tentando romper o impasse?
O presidente pediu repetidamente aos dois líderes um governo de unidade, no qual o Likud e o Azul e Branco seriam os principais parceiros. Ele repetiu esse pedido ainda ontem à noite. Com cada um dos candidatos rivais não querendo ceder ao outro, ele disse que havia proposto um governo compartilhado, sob o qual todos os cargos de governo seriam distribuídos de forma equilibrada entre os dois blocos.

Nesse cenário, com um governo sendo compartilhado entre os dois líderes em uma base rotativa, Rivlin também propôs dar mais poder ao papel de “primeiro-ministro interino”. Caso o primeiro-ministro em exercício não consiga cumprir seu papel, por qualquer motivo, o primeiro-ministro interino assumirá com todos os poderes de primeiro-ministro.

Essa iniciativa parece ter como objetivo reverter a recusa de Gantz em formar uma coalizão com o Likud, se Netanyahu, tiver que responder a uma acusação criminal por três casos de corrupção em que estaria envolvido. Outra sugestão de Rivlin é de que o primeiro-ministro poderia tirar uma licença por mais de 100 dias no máximo – uma ideia aparentemente destinada a remover os receios de Netanyahu de que, se ele tiver que deixar o cargo para responder a eventuais acusações criminais, ele o retome depois.

3. O que acontecerá se Netanyahu falhar?
Rivlin especificou que tanto o Likud quanto o Azul e o Branco haviam prometido “devolver o mandato” a ele se não conseguissem formar a coalizão. Rivlin indicou que, se Netanyahu falhar, ele estaria preparado para deixar Gantz tentar.

4. Netanyahu acha que terá sucesso desta vez?
Netanyahu disse que “aceitaria a missão”, mas não manifestou muito entusiasmo. Ele disse que compartilhava o desejo de união de Rivlin e reconheceu o imperativo da reconciliação nacional após uma campanha eleitoral divisiva. Ele disse que Israel precisava de um “governo de unidade ampla” – indicando seu compromisso contínuo com seus aliados ultraortodoxos e nacionalistas religiosos, com quem Gantz se recusou a negociar. Ele também argumentou que Israel precisa de um novo governo logo – para lidar com a ameaça iraniana, para enfrentar os desafios econômicos de Israel e para lidar de forma adequada com as oportunidades e desafios do iminente plano de paz do governo Trump. Ainda assim, ele indicou que não levaria todo o tempo que a lei permite para tentar formar o novo governo. Ele se comprometeu que, se dentro dos próximos dias, ficar claro que não terá sucesso, ele devolverá o mandato a Rivlin.