Prazo para Netanyahu formar coalizão termina à meia-noite

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem até a meia-noite de hoje (horário de Israel) para formar uma coalizão de governo. Caso não consiga, o atual Parlamento, eleito em 9 de abril, votará pela sua própria dissolução, convocando eleições para setembro. Para que isso se confirme são necessárias 3 votações no Knesset, sendo que a primeira já foi aprovada nesta segunda-feira (27).

Outra opção, considerada pouco provável, é Netanyahu devolver o mandato que recebeu do presidente Reuven Rivlin e permitir que outro líder possa formar uma coalizão majoritária.

Se Netanyahu não conseguir um acordo com Avigdor Liberman, líder do partido Yisrael Beytenu, para finalizar a formação da coalizão, a última coisa que ele quer é que um rival político tenha a chance de substituí-lo. Ele prefere voltar à estaca zero e realizar novas eleições, na esperança de que possa contar com um Knesset mais receptivo na próxima vez. Essa opção também seria problemática para Netanyahu, já que isso o deixaria com muito pouco tempo para tentar aprovar uma legislação que poderia torná-lo imune a processos nas três acusações que pesam contra ele – sua audiência antes de uma provável acusação formal, está marcada para o início de outubro, embora ele tenha esperança de conseguir um adiamento. Mas, ainda assim, isso seria menos problemático para ele do que ver outro líder ocupar o cargo de primeiro-ministro.

Esse quadro criou uma situação inédita em que partidos “derrotados” nas eleições de 9 de abril, como a aliança Azul e Branco, de Benny Gantz, se opõem à dissolução do Knesset, por acreditarem que ainda podem ter a chance de formar uma coalizão ou fazer parte de um governo, enquanto os partidos “vitoriosos”, liderados pelo Likud de Netanyahu, podem ter que votar pela dissolução do Parlamento. Alguns líderes de partidos árabes de oposição, porém, podem votar pela dissolução, na esperança de obter um resultado melhor numa próxima eleição.

A única possibilidade de Netanyahu perder o controle desse processo é se houver acordos de bastidores entre Liberman, Gantz e líderes descontentes do Likud, a fim impedir a dissolução do Parlamento e, com isso, possibilitar que outro líder possa formar um governo.