“Quatro anos sem Nisman: a verdade é a melhor homenagem”

Com razão se afirma que o promotor argentino Alberto Nisman foi a 86ª vítima do atentado à organização judaica AMIA, em 18 de julho de 94. Nisman foi morto no dia 18 de janeiro de 2015, vinte anos depois do ataque terrorista que matou 85 pessoas e deixou mais de 300 feridos na sede da AMIA em Buenos Aires, sem que até hoje ninguém tenha sido punido.

Nisman vinha investigando o atentado e se preparava para denunciar no Congresso a então presidente Cristina Kirchner pelo suspeito acordo com o Irã, pelo qual funcionários iranianos envolvidos no ataque à AMIA seriam protegidos em troca de benefícios comerciais à Argentina.

O acordo, assinado em 2013 entre os dois países, favorecia o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani, o ex-ministro da Inteligência e Segurança do Irã Alí Fallahijan e o então ministro da Defesa Ahmad Vahidi, entre outros. O vergonhoso acordo, assinado pelos chanceleres Héctor Timerman e Alí A. Salehi, conseguiu seu objetivo principal quando, enviado à Interpol, a polícia internacional suspendeu a ordem de captura dos envolvidos no atentado. Cristina Kirchner chamou de ‘golpistas’ os que a acusavam e se beneficiou da imunidade parlamentar que tinha como senadora para evitar a sua prisão.

As investigações sobre a morte de Nisman parecem seguir um roteiro semelhante ao do atentado à AMIA, com uma sequência de impedimentos burocráticos e de obstrução da justiça.

E o único caminho possível para a reparação, ainda que parcial, dessa mancha na sociedade argentina é vencer o desafio de se romper com os entraves burocráticos em busca da verdade e da punição dos responsáveis.

Israel vai inaugurar hoje monumento em homenagem a Alberto Nísman. Promovida pelo Keren Kayemet LeIsrael (KKL), a homenagem a Nisman contará com a presença de autoridades políticas e diplomáticas, entre elas o embaixador argentino e o presidente da AMIA, além da mãe de Nisman, Sara Garfunkel (La Nacion – editorial).