Reino Unido reconhece o Hezbollah como organização terrorista

O Reino Unido decidiu incluir o Hezbollah na sua lista negra e declarou o grupo como organização terrorista. O secretário do Interior do Reino Unido, Sajid Javid, disse hoje que o braço político da milícia xiita não se distingue mais de sua ala militar já banida.

O poderoso grupo terrorista xiita, apoiado pelo Irã, faz parte de um governo recém-anunciado no Líbano. Enquanto o gabinete é dirigido por Saad Hariri, o político sunita apoiado pelo Ocidente que ocupa o cargo desde 2016, o Hezbollah obteve ganhos significativos às custas do maior partido sunita e agora controla três ministérios do governo.

O Hezbollah tem uma história de décadas de conflito com Israel, incluindo a guerra do Líbano em 2006, e seu líder Hassan Nasrallah constantemente defende a destruição do Estado judeu.

A ala militar do Hezbollah já havia sido proibida na Grã-Bretanha como um grupo terrorista, mas sua ala política não.

“O Hezbollah mantém suas tentativas de desestabilizar a frágil situação no Oriente Médio – e não podemos mais discriminar entre eles e o partido político”, disse o secretário do Interior, Sajid Javid. “Por causa disso, tomei a decisão de proscrever o grupo em sua totalidade”. “Minha prioridade como secretário é proteger o povo britânico”, acrescentou. “Como parte disso, nos identificamos com a ameaça de segurança e proteção, quaisquer que sejam seus motivos ou ideologia, e é por isso que estou tomando medidas contra várias organizações”, disse.

Um projeto nesse sentido será apresentado hoje ao Parlamento britânico e, se aprovado, entrará em vigor já na próxima sexta-feira. Ele lista o Hezbollah junto com outros grupos que estão ativos no noroeste da África.

“Somos firmes defensores de um Líbano estável e próspero”, disse o secretário do Exterior, Jeremy Hunt. “Hezbollah e suas alas políticas e militares são totalmente inaceitáveis e prejudiciais para a segurança nacional do Reino Unido”. “Isso não muda nosso compromisso com o Líbano”, acrescentou Hunt.

O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, que tem o Hezbollah e o palestino Hamas como amigos, não se pronunciou sobre a decisão.