Relatório revela corrupção e abuso de poder nos mais altos níveis na UNRWA

Uma investigação interna da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA) revelou uma série de irregularidades, que vão desde corrupção a “atos sexuais impróprios, nepotismo, denúncias de represálias, discriminação e outros abusos”, numa crise econômica e moral que já ameaça a existência da organização.
O relatório está sendo agora examinado por investigadores da ONU.

A agência France Presse obteve uma cópia do documento, que descreve relatos de graves abusos éticos envolvendo altos funcionários da instituição, incluindo o Comissário Geral, Pierre Krähenbühl.

As acusações contra ele incluem “atos sexuais impróprios, nepotismo, represálias, discriminação e outros abusos de autoridade cometidos para obter vantagens pessoais”.

O relatório foi enviado ao secretário-geral da ONU, António Guterres, em dezembro, e, em seguida, investigadores da ONU visitaram os escritórios da UNRWA em Jerusalém e Amã para colher informações sobre as denúncias, segundo fontes próximas ao caso.

Um alto funcionário citado no relatório teria deixado a UNRWA devido a “comportamento inadequado” em conexão com as investigações, enquanto outro pediu demissão por motivos “pessoais”, disse a organização.

A UNRWA, que atende cerca de 5,4 milhões de refugiados palestinos, vinha enfrentando a sua pior crise nos seus 70 anos de existência.

Fundada em 1949, a UNRWA opera na Jordânia, no Líbano, na Síria e nos Territórios Palestinos e emprega 30.000 pessoas, a maioria palestinos.

Os Estados Unidos suspenderam todo o financiamento à agência em setembro de 2018, denunciando falhas na organização.

“Pessoas foram promovidas de acordo com a proximidade com a diretoria e agiram de forma vingativa contra outros membros da organização, além de terem exercido seu poder de muitas maneiras alheias às suas funções”, diz o documento. Isso aconteceu a partir de 2015, um ano após a nomeação de Krähenbühl, segundo o relatório.

A crise econômica na organização, após o corte da ajuda dos EUA, também foi usada como pretexto para centralizar o poder nas mãos do comissário-geral e de pessoas próximas a ele. O relatório menciona que, devido a esse comportamento, um ambiente ruim se instalou na organização, com receios de funcionários de sofrerem represálias e intimidações, o que acabou levando ao colapso da administração da UNRWA.