Religiosos pregam o “acolhimento do outro, contra a crescente hostilidade entre os diferentes”

Mais de 600 líderes religiosos de todo o mundo, reunidos em Viena entre 20 e 22 de novembro para a 9ª Assembleia Mundial de Religiões para a Paz, publicaram um comunicado em que se comprometem a trabalhar juntos para “resistir à crescente hostilidade para com o ‘outro‘”. A Confederação Israelita do Brasil foi representada pelo rabino Michel Schlesinger.

Estiveram presentes delegados de 90 conselhos e grupos nacionais inter- religiosos, e grupos de mulheres e jovens. Entre eles, representantes das fés Baha'i, budista, cristã, hindu, indígenas, jainista, judaica, muçulmana, sikh, xintoísta, taoista e líderes religiosos do Zoroastrismo.

A declaração "Acolhendo o Outro – Uma Visão Multirreligiosa da Paz" diz: "A crescente hostilidade, na sociedade e dentro e entre as comunidades religiosas, assume a forma de intolerância, e muitas vezes violência (…). Vítimas de hostilidade são muitas vezes as populações vulneráveis​​, incluindo os membros das minorias étnicas, religiosas e linguísticas, migrantes, refugiados, requerentes de asilo, pessoas deslocadas e apátridas (…). Um número crescente de governos está impondo restrições sobre crenças e práticas religiosas (…). Violência sectária e comunitária está dividindo as sociedades, alimentando o conflito, e destruindo vidas inocentes."

“Para nós judeus, a Áustria que participou das duas guerras mundiais e das grandes tragédias do século 20 é também a Áustria que produziu nomes como Theodor Herzl, Sigmund Freud e Gustav Mahler. O Museu Judaico (veja foto abaixo) expõe esses dois lados da presença judaica no país. Estar em Viena nos permite ver uma sociedade ainda muito próxima dos horrores do passado acolhendo importantes iniciativas de diálogo, que carregam o potencial de construir um futuro diferente”, afirmou Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista e representante da Conib para o diálogo inter-religioso.

"Todas as tradições de fé deixam claro que é um imperativo religioso acolher o outro", declarou William Vendley, secretário-geral das Religiões para a Paz. "Esse compromisso pode guiar a ação multirreligiosa para a paz, o antídoto para a crescente onda de hostilidade."

Na sessão de encerramento da Assembleia em Viena, líderes religiosos das Coreias do Norte e do Sul subiram ao palco juntos e receberam aplauso prolongado. Eles deram-se as mãos, se inclinaram e pediram a todos para rezar e trabalhar pela paz na península coreana.

A rede Religions for Peace [Religiões para a Paz], fundada em 1970 e com sede em Nova York,  é acreditada junto às Nações Unidas e trabalha pelo diálogo inter-religioso em seis continentes.

Na capital austríaca, o rabino também participou do Fórum Global Sobre a Imagem do Outro: Educação Inter-Religiosa e Intercultural. O evento, promovido pelo Centro Internacional para o Diálogo Inter-religioso e Intercultural Rei Abdullah Bin Abdulaziz, reuniu líderes religiosos e políticos e especialistas em educação, com o objetivo de fomentar redes globais de especialistas na educação inter-religiosa. Representando o Congresso Judaico Latino-Americano (CJL) esteve seu diretor executivo, Claudio Epelman.


Participantes da 9ª Assembleia para a Paz, em Viena. Foto: Divulgação.
Rabino Michel Schlesinger (esq.), com o cardeal dom Raymundo Damasceno, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB ) e o sheik Jihad Hammadeh, vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica da América Latina. Foto: Divulgação.


Museu Judaico de Viena. Foto: Michel Schlesinger.