Se não fosse pelo apoio do Irã ao Hamas, estaríamos mais próximos da paz no Oriente Médio, diz chanceler do Bahrein

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Khalid bin Ahmed Al Khalifa, disse que, se não fosse pelo apoio do Irã ao Hamas e a outros grupos armados na Faixa de Gaza, Israel e os palestinos estariam mais próximos da paz.

O Irã é um apoiador das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, do braço armado do grupo terrorista Hamas e das Brigadas al-Quds, ramo militar da Jihad Islâmica.

“Não queremos deixar essa questão (do conflito israelo-palestino) continuar sendo usada por países ou grupos terroristas que buscam dominar a região. E isso nos leva à questão do Irã” disse Al Khalifa na quarta-feira em evento do Atlantic Council em Washington, DC. As declarações do ministro das Relações Exteriores do Bahrein só foram divulgadas na sexta-feira (19), quando o Atlantic Council as publicou em sua página no YouTube.

“Se não fosse a presença do Irã na região – com soldados, dinheiro, apoio político e militar ao Hamas e jihadistas que dominam Gaza – estaríamos muito mais perto de conseguir a paz melhor entre os palestinos e israelenses.

Teríamos uma chance melhor”, disse ele. “Mas essa presença (do Irã) sempre foi tão tóxica que tornou tudo cada vez mais difícil”.

Como Israel, o Bahrein tem criticado o Irã por seu apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã também apoia os rebeldes houthis no Iêmen, as Unidades de Mobilização Popular no Iraque e o governo do presidente sírio Bashar Assad.

Khalifa também disse que seu país está interessado em abrir o turismo e o comércio com o Estado judeu, mas acrescentou que ainda é “muito cedo” para discutir esses movimentos. “Queremos chegar lá!”, destacou
Na semana passada, Khalifa posou para foto ao lado do ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem cada vez mais divulgado nas mídias sociais os crescentes laços do país com os países árabes. Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores chegou a dizer que Katz e Netanyahu esperavam trabalhar juntos para acordos de paz com as nações do Golfo nos próximos anos.

Khalifa destacou que “assim como o povo israelense merece viver em paz e deixar esse legado para as futuras gerações, os palestinos, tanto quanto os israelenses, têm o direito de ter seu próprio país, de viver em sua própria terra”.

“Eles estão lá há milênios. E não há como ignorarmos o direito deles de pertencer àquela terra”, disse ele.

O Hamas criticou a foto que o Khalifa tirou ao lado do ministro israelense Israel Kataz, afirmando que a aproximação entre os países demonstra “o quão pró-sionistas se tornaram algumas autoridades árabes”. “Essas reuniões e fotos representam uma traição a Jerusalém e a Palestina e não conseguirão minar a determinação (dos palestinos) na busca da Palestina ou normalizar a ocupação”, disse no Twitter o líder do Hamas Sami Abu Zuhri.

Em entrevista ao The Times of Israel, nos bastidores da cúpula, Khalifa expressou esperança por melhores relações e, eventualmente, “a paz com Israel” – país que ele já declarou fazer parte da região e que “veio para ficar”.