Setores da comunidade reclamam do uso de símbolos judaicos, diz Estadão

Em matéria assinada por Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo, publicada neste domingo, dia 25, o jornal “O Estado de S.Paulo” diz que setores da comunidade judaica têm manifestado desconforto com uma crescente associação entre os símbolos do judaísmo e posições extremistas. Procurado pelo jornal, Fernando Lottenberg, presidente da Conib, mais uma vez esclareceu que a comunidade judaica brasileira é bastante plural, com judeus e judias de várias tendências políticas -de direita, de esquerda e de centro.

“É um reducionismo identificar o Estado de Israel com bandeiras da extrema-direita. O presidente tem uma admiração sincera pelo que Israel fez nessas décadas. Ele faz isso constantemente, mas não há necessariamente uma identidade entre comunidade e governo”, esclareceu o presidente da Conib ao Estadão.

Intitulada “Judeus reclamam do uso de símbolos por Bolsonaro”, a matéria ouviu outros representantes da comunidade. “Na agenda de costumes, Israel é um país bastante progressista. Tem uma política de respeito à comunidade LGBT, um ministro assumidamente homossexual e liberdade ampla de escolha sobre aborto”, disse Michel Schlesinger, rabino da Congregação Israelita Paulista (CIP) e Representante para o Diálogo Inter-religioso da Conib.

A reportagem afirma que, desde a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, em 2018, a bandeira de Israel se tornou peça constante em eventos oficiais e que, desde a posse, o país ganhou status inédito de aliado prioritário do Brasil, o que a Conib tem elogiado.

O repórter cita ainda conferência que acontecerá entre 13 e 15 de janeiro do ano que vem na Universidade de Haifa, em Israel: “Política e religião no Brasil e nas Américas: igrejas evangélicas e suas relações com o judaísmo, sionismo, Israel e as comunidades judaicas”. O evento tem como um de seus objetivos discutir os motivos e efeitos da associação entre símbolos judaicos e “grupos conservadores”, diz o Estadão. Sobre o assunto, o sociólogo Rafael Kruchin, coordenador executivo do Instituto Brasil Israel, um dos organizadores da conferência, disse: “Hoje a gente vê na política brasileira símbolos judaicos sendo usados por grupos conservadores. É algo que já vinha ocorrendo desde os protestos pelo impeachment da Dilma (Rousseff). Até por conta disso, começam a aparecer alguns comentários antissemitas”.