Sinfônica de São Francisco homenageia Anne Frank e as vítimas de Pittsburgh

Em comemoração ao aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas – assinada em 10 de dezembro de 1948 -, a Sinfônica de São Francisco apresentou um concerto inédito, baseado em peça escrita originalmente em parceria com a atriz Audrey Hepburn. A apresentação, que aconteceu entre 15 a 18 de novembro, foi marcada pela narração de trechos do Diário de Anne Frank, cuja história icônica representa tanto o massacre de judeus na Europa, sob o regime nazista, quanto a esperança na bondade humana.

O premiado maestro Michael Tilson Thomas dedicou performances de sua sinfonia “O Diário de Anne Frank” às vítimas do massacre de 24 de outubro na sinagoga da Árvore da Vida, em Pittsburgh.

“Cheguei a este texto por causa de Audrey Hepburn”, diz Tilson Thomas, que encenou a peça pela primeira vez há quase duas décadas, em parceria com a estrela dos clássicos dos anos 50 e 60, “Breakfast at Tiffany’s”, “Roman Holiday”. “Charade”, “Sabrina” e “My Fair Lady”.

Hepburn, ícone de elegância e que representou tão bem Hollywood aos seus 20 e poucos anos, tornou-se ainda mais conhecida por seu trabalho humanitário como representante da UNICEF. Criado inicialmente como um fundo de ajuda a crianças do pós-guerra na Europa, China e Oriente Médio a organização agora atende às necessidades de crianças em todo o mundo.

Na estreia em março de 1990, no New World Symphony, na Filadélfia, Hepburn participou da apresentação, narrando ao vivo no palco, trechos do diário enquanto Tilson Thomas se apresentava ao seu lado.

Assim como Anne Frank, Hepburn nasceu em meados de 1929 e também passou a guerra na Holanda ocupada pelos nazistas. Menos de três anos depois de estrear a apresentação da Sinfônica, ela morreu de câncer em 1993. Segundo Tilson Thomas, a atriz teve uma identificação muito forte com Anne Frank e era “sensível ao sofrimento de todas as crianças”.

A sinfonia de 36 minutos inspirada no Diário de Anne Frank apresenta trechos narrados no diário familiar. Publicado pela primeira vez em alemão em 1950, o relato de uma menina de 13 anos escondida dos nazistas em um sótão de Amsterdã com sua família e outros judeus durante a Segunda Guerra Mundial foi traduzido para 70 idiomas e publicado em mais de 60 países.

Tilson Thomas é neto das estrelas de teatro iídiche Boris e Bessie Thomasefsky e descendente de uma família de músicos. Desde 1995, ele atua como diretor musical da San Francisco Symphony. Ele também é o fundador e diretor artístico da New World Symphony, e regente da London Symphony Orchestra. Tilson Thomas recebeu a Medalha Nacional de Artes e foi condecorado como Chevalier dans l’ordre des Arts et des Lettres da França (Cavaleiro das Artes e Letras da França).