Site diz que presidente polonês culpou Israel por incidentes antissemitas na Polônia; Duda nega

Em encontro com líderes judeus em Nova York, o presidente polonês, Andrzej Duda, teria chocado os presentes ao afirmar que Israel é o responsável pelo aumento do antissemitismo em seu país, segundo o site Jewish Insider.

No final desta manhã, o gabinete de Duda divulgou nota acusando o Jewish Insider de ter “inventado” a notícia.
Veja matéria.

Mas o Jewish Insider confirmou a informação, citando como fonte o sobrevivente do Holocausto Edward Mosberg, que também participou do encontro em Nova York.

Citando várias fontes presentes no encontro, nesta quarta-feira (25) em Nova York, o site Jewish Insider afirmou que Duda atribuiu o aumento do antissemitismo na Polônia a comentários ofensivos feitos pelo ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, que, ao citar, em fevereiro, o falecido primeiro-ministro Yitzhak Shamir, disse que “os poloneses sugam o antissemitismo no leite de suas mães”. Ele também teria dito que “muitos poloneses colaboraram com os nazistas” durante a Segunda Guerra.

No encontro, Duda disse aos líderes judeus que esses comentários eram uma “humilhação” para a Polônia.

A crítica do presidente polonês irritou líderes israelenses.

Yair Lapid, o ‘número 2’ do partido Azul e Branco, disse: “Não Sr. Duda, Israel não é responsável por incidentes antissemitas na Polônia. Os responsáveis “são poloneses antissemitas – como aqueles que ajudaram no assassinato de judeus no Holocausto”.

Os comentários de Katz em fevereiro enfureceram Varsóvia, que retirou seu representante de uma reunião de cúpula, em Jerusalém, com participantes de outros países da Europa Central. Mais tarde, o principal diplomata polonês adotou um tom mais conciliatório, saudando a estreita cooperação das duas nações, mas não se desculpou pelo incidente.

Varsóvia há muito se esforça para afirmar que a Polônia não colaborou com os nazistas que ocuparam o país durante a Segunda Guerra, embora muitos poloneses tenham cometido o que o embaixador polonês em Israel descreveu como “crimes abomináveis”.

Israel e Polônia enfrentaram tensões diplomáticas com a adoção de uma lei polonesa que prevê penas de prisão para quem usar o termo “campos de concentração poloneses”, ou insinuar qualquer responsabilidade do país por crimes cometidos contra os judeus na Polônia durante a ocupação nazista. Ao adotar a lei, o governo polonês fez uma forte campanha contra as reivindicações de restituição de bens de judeus e de indenizações por perdas e expropriações durante a ocupação nazista. Em maio, milhares de nacionalistas poloneses se reuniram diante da embaixada dos EUA para protestar contra a pressão de Washington para que a Polônia indenize judeus cujas famílias perderam propriedades e outros bens durante o Holocausto. Nos últimos meses, houve um aumento dramático dos incidentes antissemitas no país, inclusive on-line, e por parte da mídia e de políticos poloneses.