Socorrista de Israel fala português e diz que ficou chocado com situação em Brumadinho

Aos 64 anos, o tenente-coronel da reserva e gestor administrativo Rafael Sadi é um dos poucos militares do Exército de Israel que fala português e integra o grupo que está em Brumadinho (MG) para ajudar no resgate das vítimas do rompimento da barragem da Vale. Integrante da equipe de resgate em desastres urbanos, ele conta que ficou chocado com o que viu na cidade mineira.

“Eu já vi muitos desastres, terremotos com muitas vítimas. Estive no Haiti, depois do terremoto que teve milhares de vítimas. No México também, depois de outro terremoto. Mas esse desastre aqui é muito complicado para as equipes de resgate”, conta ele. “É muito difícil trabalhar na área atingida, é muito difícil de localizar as vítimas. E também é muito desgastante, fisicamente e mentalmente, para quem trabalha nas buscas, independentemente de quanta experiência a pessoa tenha”, disse Rafael, em entrevista ao UOL, após o primeiro dia de trabalho em Brumadinho. A entrevista foi em português – ele fez questão de falar o idioma, apesar das dificuldades para encontrar uma palavra ou outra, para treinar a língua.

Ele conta que chegou com os demais militares israelenses muito tarde no domingo. “Na segunda de manhã, pelas 6h da manhã, fui parte do grupo pequeno de comandantes que saiu para avaliar a situação e entender o que estava acontecendo. A situação aqui agora é muito difícil. Quando terminamos a avaliação (da situação) e definimos os detalhes para começar o trabalho efetivamente, mandamos as equipes para o campo. Isso por volta das 13h, 13h30. E assim que começaram os trabalhos, logo nas primeiras horas, felizmente e infelizmente, logo começaram a encontrar corpos e os resgatamos”, descreveu Rafael.

Como reservista do Exército Israelense, é enviado para missões em apoio a desastres em qualquer lugar do mundo. “Para a gente, é normal. Vou sempre a cada um ano e meio, dois anos. É comum ir e ajudar em qualquer lugar do mundo”, disse. Além do México e do Haiti, Rafael esteve no Nepal, nas Filipinas, na Índia e na Turquia, sempre em missões de desastres urbanos. “Vamos trabalhar com toda a força até voltarmos para Israel”, disse o tenente-coronel da reserva, antes de entrar em mais uma reunião de trabalho com a equipe israelense, tarde da noite.