Spielberg inaugura novo espaço “para combater o ódio”

O cineasta e fundador da USC Shoah Foundation, Steven Spielberg, inaugurou, no mês passado, um espaço de 10 mil metros quadrados, no campus da USC, onde são exibidas entrevistas com sobreviventes do Holocausto e de outros genocídios e onde os visitantes podem interagir com imagens. Para montar o espaço, Spielberg contou com a colaboração de um verdadeiro exército de operadores de vídeo que enviou a várias partes do mundo para obter depoimentos de sobreviventes do Holocausto e de outros genocídios.

“Houve um aumento significativo do antissemitismo e da xenofobia”. “E o ódio racial é maior do que eu imaginava que pudesse acontecer nestes tempos modernos. As pessoas estão expressando o ódio mais agora, porque há muitos outros canais que dão voz a opiniões e demandas irracionais”. E creio que não estamos fazendo o suficiente para combater o ódio”, disse Spielberg em entrevista ao New York Times.

O novo espaço foi lançado para comemorar o 25º aniversário da “Lista de Schindler”, e Spielberg considera que o filme ainda oferece uma mensagem importante.

“Com este novo ciclo de ódio que estamos presenciando pensei que através da Fundação Shoah eu pudesse lembrar que o genocídio pode acontecer em qualquer lugar onde uma sociedade falha”, disse ele. “Charlottesville e o rescaldo desse episódio tiveram um peso importante para eu querer reeditar o filme (A ‘Lista de Schindler’)”.

Entre os 55.000 depoimentos arquivados no Arquivo de História Visual da USC Shoah Foundation estão também relatos de pessoas que sobreviveram a outros genocídios ocorridos em várias partes do mundo. “Infelizmente, o Holocausto não está sozinho”, disse Spielberg. “E os testemunhos do passado são importantes para que possamos construir um futuro mais pacífico”. “E muitos acham que a Fundação Shoah é apenas sobre o arquivamento do passado, mas é também para entender a importância da empatia e, através dos depoimentos, trazer mais luz e consciência”, disse ele.

O Arquivo inclui testemunhos do genocídio armênio de 1915, do massacre de Nanjing em 1937, do genocídio cambojano dos anos 1970, do genocídio guatemalteco no início dos anos 80, do genocídio contra os tutsis em Ruanda em 1994, da recente violência genocida no Sudão do Sul e na região central. República Africana e a recente violência contra rohingyas, em 2017, em Mianmar. Também inclui testemunhos recentemente registrados de incidentes antissemitas.

Os vídeos com as entrevistas foram armazenados em seus escritórios da Amblin Entertainment, da Universal Studios, e depois em uma empresa de armazenamento antes da transferência da fundação para a Biblioteca Leavey da USC em 2006. Há pouco mais de 51.000 depoimentos de sobreviventes do Holocausto no arquivo histórico visual, com impressionantes 115.000 horas de gravações.

Hoje, o grupo tem 82 funcionários e um orçamento anual de cerca de US$ 15 milhões, dos quais US$ 3 milhões da universidade. Também recebeu milhões em doações. Sua nova casa – parte escritório, parte laboratório de mídia – está repleta de depoimentos em vídeo de 65 países em 43 idiomas, juntamente com obras de arte inspiradas em sobreviventes – entre elas, uma escultura de aço do artista britânico Nicola Anthony incorpora frases de depoimentos filmados (Adam Popescu, NYT).