União Europeia revela mais mensagens de ódio a Israel em novos livros escolares palestinos

A União Europeia anunciou que vai analisar cuidadosamente todo o conteúdo dos novos livros escolares palestinos, após um estudo inicial ter apontado que o material didático é ainda mais radical do que o do no passado contendo incitações ao ódio e à violência e rejeição da paz com Israel.

A chefe de política externa da União Europeia, Federica Mogherini, disse que a análise do material didático palestino será feita por um “instituto de pesquisa independente e reconhecido internacionalmente” com o objetivo de “identificar possíveis incitações ao ódio e à violência e eventuais desacordos com os padrões da UNESCO de paz e tolerância na educação”. “A incitação à violência é fundamentalmente incompatível com o avanço de uma solução pacífica de dois Estados e está sendo o foco principal da desconfiança entre as comunidades”, disse ela.

Em abril de 2018, o Parlamento europeu aprovou uma legislação destinada a impedir o conteúdo de ódio nos livros didáticos palestinos. Em outubro, o comitê orçamentário do Parlamento recomendou o congelamento de uma verba de mais de US$ 17 milhões de ajuda à Autoridade Palestina por causa do incitamento contra Israel nos livros didáticos palestinos.

O material didático 2018-2019 “omite deliberadamente qualquer discussão sobre educação para a paz ou referência a qualquer presença judaica na Palestina antes de 1948”, diz o documento. “E o mais preocupante, é que os livros trazem inserções estimulando a violência, martírio e a jihad em todos os níveis (de ensino) de uma forma mais extensa e sofisticada, abrangendo um amplo espectro de ideias nacionalistas extremas e ideologias islâmicas que se estendem até mesmo no ensino da ciência e da matemática”, acrescenta uma avaliação publicada no site da UE.

Entre os exemplos citados está a imagem de uma menina sorrindo enquanto “hereges” aparecem ao fundo sendo queimados numa fogueira, com texto chamando para que sejam “aniquilados os remanescentes dos estrangeiros” e o “usurpador” e a descrição de judeus como “corruptos, mentirosos, assediadores sexuais e inimigos do Islã, responsáveis pela morte do Profeta Muhammad (Maomé)”.

Os textos pedem o fim do Estado de Israel e o estabelecimento de um Estado palestino em todo o território que é hoje Israel, e diz que a tomada será violenta. Os textos negam qualquer conexão judaica com o território ou com locais sagrados em Jerusalém e em outros lugares.

A UE repassa à Autoridade Palestina (AP) 360 milhões de euros (US$ 404 milhões) por ano, sendo a maior parte destinada ao Ministério da Educação. Além disso, o órgão europeu doa US$ 178 milhões para a UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos e seus descendentes, boa parte dos quais vai para as escolas que adotam os livros da AP.

A ONG IMPACT-se, um dos grupos que encarregados de analisar o conteúdo dos livros didáticos palestinos, publicou no mês passado um documento de 70 páginas com exemplos de incitamento ao ódio no material escolar.

O diretor-presidente da IMPACT-se, Marcus Sheff, disse em comunicado nesta quarta-feira (15) que os palestinos vêm “abusando” do dinheiro e da boa vontade do contribuinte da UE há anos. “Não há desculpa nem há justificativa. A AP leva centenas de milhões de euros e, em troca, ensina violência, ódio e o sacrifício de jovens vidas”, disse ele. “Esperamos que este estudo ajude a acabar com o abuso e finalmente permita que jovens palestinos recebam educação significativa sobre a importância da paz”.