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“A democracia está exaurida”, diz Rivlin, ao avaliar que ainda não vê possibilidade de formação de coalizão de governo

Dando início a uma série de reuniões com representantes de partidos políticos para consultas sobre o candidato preferido de cada um para formar o próximo governo, o presidente Reuven Rivlin lamentou nesta segunda-feira que no momento, não haja consenso para a formação de uma coalizão.
“Depois de quatro campanhas eleitorais, a democracia está exaurida”, disse Rivlin.
Ele também deu a entender que o julgamento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por envolvimento em casos de corrupção poderia poderá ter um peso em sua decisão sobre quem ele encarregará de formar o novo governo.
“Pode haver outras considerações, incluindo questões baseadas em valores que não sei se um presidente tem autoridade para opinar”, disse Rivlin aos representantes do Likud, o primeiro partido recebido pelo presidente em suas avaliações.
“Há outro candidato que vocês recomendariam como alternativa (a Netanyahu) se tais indicações impedirem que seu candidato seja escolhido?”, perguntou Rivlin a representantes do Likud. Eles responderam negativamente, dizendo que estavam agindo de acordo com a lei.
Uma discussão extraordinária se desenvolveu então entre Rivlin e o principal representante do Likud, o ministro de Segurança Pública, Amir Ohana, um aliado próximo de Netanyahu, que disse que havia acompanhado Netanyahu ao tribunal antes do encontro, “a fim de ficar do lado da verdade e da justiça”.
Rivlin o interpelou: “Verdade e justiça? Você está dizendo isso em seu próprio nome, não para os fins deste fórum”.
“Acho que não estou falando apenas por mim”, disse Ohana. “Quando mais de um milhão de eleitores votaram no Likud liderado por Benjamin Netanyahu, penso que eles expressaram um alto nível de confiança nele e uma falta de confiança em outros”, disse ele.
O partido Yesh Atid foi o próximo a ser recebido pelo presidente depois do Likud, com seus representantes recomendando o líder do partido, Yair Lapid.
“Quando temos um primeiro-ministro que está no tribunal neste momento se defendendo, precisamos de um candidato que trabalhe pelo Estado de Israel, não por si mesmo, para assumir esta importante tarefa”, disse a número 2 do partido, Orna Barbivai.
Ela acrescentou que não descarta a possibilidade de Lapid apresentar outro candidato para primeiro-ministro, mas disse que ele deve receber o mandato para formar o governo porque tem as melhores chances de sucesso na tarefa.
Rivlin questionou os representantes do partido sobre se eles poderiam apoiar um governo chefiado por alguém que não fosse Lapid e, diante de uma negativa, considerou o impasse como impossível de ser resolvido.
“No momento, não consigo ver uma maneira de formar uma coalizão”, disse Rivlin.
Parlamentares do Yesh Atid admitiram que não descartam apoiar qualquer parceiro da coalizão, incluindo o Likud, desde que Netanyahu não seja o líder do partido.

Foto: Yonatan Sindel/Flash90