“Adiamento cria embaraços para Gantz”

Israel chegou perto de ter um novo governo nesta quinta-feira, encerrando 18 longos meses de incerteza política, com 3 eleições inconclusivas, mas disputas acirradas no Likud por nomeações no Ministério levaram a mais um adiamento, com a posse marcada para a tarde de domingo.

O sistema político israelense começou o dia nesta quinta-feira acreditando que a ocasião marcaria o fim do difícil prazo para a formação do novo governo. O motivo era claro: o tempo para formação do novo governo sob a liderança de Benjamin Netanyahu, num primeiro período, e Benny Gantz , num segundo período, terminou na noite de quinta-feira. e o líder do Azul e Branco estava decidido a não permitir que qualquer lacuna atrapalhasse a tomada de posse do governo.

Em 26 de março, quando Netanyahu procurou atrair Gantz para longe de seus parceiros do Azul e Branco e propôs um governo de unidade com o Likud, Gantz, que antes dizia que Netanyahu não era confiável, fez os partidos de direita o elegerem presidente do Knesset, como garantia de que a proposta era séria. A lógica de Gantz era simples: ele não poderia ser facilmente destituído do cargo de presidente do Parlamento – são necessários 90 votos no Parlamento de 120 cadeiras para expulsar um presidente – e poderia controlar a agenda legislativa do próximo governo a partir desse cargo, dificultando sua capacidade de funcionar se Netanyahu voltasse atrás em seu acordo.

Um mês e meio depois, na terça-eira desta semana, Gantz anunciou sua renúncia como presidente do Knesset, iniciando uma contagem regressiva de 48 horas até a entrada em vigor, na quinta-feira à noite, bem a tempo do juramento do novo governo.

Quando Netanyahu pediu a prorrogação na noite de ontem, a resposta de Gantz foi curta, mas ainda assim ensurdecedora: ele retirou sua renúncia e recuperou sua influência.

Não é que ele não acredite que os problemas de Netanyahu no Likud sejam reais. Só que ele está convencido de que seu novo parceiro seria capaz de tentar comprometer seu acordo no breve período entre o momento em que Gantz não seria mais presidente do Knesset e a posse do novo governo.

Mesmo que Netanyahu não planeje fazer isso, disseram oficiais do Azul e Branco a repórteres na quinta-feira, por que deixar essa possibilidade diante dele?

Como tudo o mais neste novo e maior governo de todos os tempos, com seu recém-cunhado “ministério de promoção comunitária” e sua dúzia ou mais de vice-ministros, a situação é embaraçosa. Gantz já havia realizado uma reunião de despedida com os funcionários da presidência do Knesset na manhã de quinta-feira, mas teve que retornar ao escritório à noite para retirar sua renúncia.

E ele deveria voltar nesta sexta-feira à tarde para renunciar mais uma vez, para que possa ser jurado legalmente como ministro até domingo às 13h.