Agência da ONU diz que o Irã agora viola todas as restrições do acordo nuclear

Relatório confidencial da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, revelou que o Irã continua a aumentar seus estoques de urânio enriquecido e a enriquecer o produto acima dos níveis permitidos sob acordo nuclear de 2015.

A agência afirma que, em 20 de maio, o estoque total de urânio iraniano com baixo enriquecimento atingiu 1.571,6 kg (1,73 toneladas), acima dos 1.020,9 kg (1,1 toneladas) que mantinha em 19 de fevereiro e mais de oito vezes acima do limite estabelecido no acordo nuclear que o país assinou com as grandes potências em 2015.

O Irã assinou o acordo nuclear em 2015 com os Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha, China e Rússia. Os EUA desistiram do acordo unilateralmente em 2018.

Conhecido como Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA), o acordo permite ao Irã manter um estoque de 202,8 kg (447 libras).

A AIEA informou que o Irã também continua a enriquecer urânio com uma pureza de 4,5%, superior aos 3,67% permitidos pelo JCPOA. Também está acima das limitações do pacto em água pesada.

O acordo nuclear prometeu incentivos econômicos ao Irã em troca da restrição de seu programa nuclear. Desde que o presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo, o Irã tem violado sistematicamente as restrições.

O objetivo final do JCPOA é impedir o Irã de desenvolver uma bomba nuclear – algo que Teerã diz não querer. Israel e os EUA acusam o Irã, que rrepetidas vezes prometeu destruir o Estado judeu, de mentir sobre seu programa nuclear.

Com as violações, Teerã pretende pressionar os demais países signatários do acordo a aumentar os incentivos econômicos para compensar as sanções impostas por Washington após a retirada dos EUA.

Embora o Irã tenha sido duramente atingido pela nova pandemia de coronavírus, a AIEA disse que mantém suas atividades de verificação e monitoramento no país, fretando aeronaves para transportar os inspetores para o país. No entanto, a agência afirmou que manifestou ao país sua “grave preocupação” com a decisão iraniana de não permitir acesso a dois locais onde poderiam estar sendo desenvolvidas atividades não declaradas.