AJC diz ter ficado ‘chocado e horrorizado’ com as cenas de violência no Capitólio

O American Jewish Committee (Comitê Judaico Americano – AJC) divulgou nota sobre a invasão do Capitólio na quarta-feira (6), dizendo ter ficado ‘chocado e horrorizado’ com os episódios de violência, que “trouxeram derramamento de sangue, caos e desonra ao templo da democracia americana”. “Aqueles que cometeram crimes devem ser responsabilizados – assim como aqueles que os encorajaram e esperaram se beneficiar deles”, diz a nota do AJC.

“O ataque de 6 de janeiro ao Capitólio nos EUA por manifestantes inspirados e incitados pelo presidente Trump não foi um protesto político. Foi um ato de sedição de indivíduos, alguns munidos de armas de estilo militar, que acreditavam e tinham motivos para acreditar que estavam cumprindo as instruções do titular do cargo mais alto do país, e dezenas de outros funcionários eleitos, para ‘impedir o roubo'”.

“Não houve ‘roubo’. Os votos foram legalmente depositados (nas urnas), contados, recontados, julgados procedentes pelos tribunais estaduais e federais, confirmados em recurso, adotados pelo Colégio Eleitoral e homologados pelo Congresso. Uma investigação exaustiva não encontrou evidências de fraude generalizada, como afirmaram as autoridades policiais do país. A eleição não foi roubada. Foi perdida pelo titular”.

O presidente Trump não venceu (a eleição). como afirmou em vídeo durante o cerco ao Capitólio. Fatos demonstram que o presidente perdeu para o ex-vice-presidente Joe Biden por uma diferença de mais de 7 milhões de votos e por uma margem do Colégio Eleitoral de 306 a 232.

Os Estados Unidos são uma nação de leis, governada por uma Constituição que tem sido a estrela do norte para movimentos democráticos em todo o mundo por mais de dois séculos. Um princípio fundamental dessa Constituição e um emblema da democracia que ela garante é a transferência pacífica do poder após a palavra do povo (nas urnas). Um titular que perde uma eleição pode sair elegantemente, como a maioria fez, ou vergonhosamente, e essa foi a opção escolhida pelo presidente Trump; de qualquer forma, são as leis e o povo americano que dão o tom, não o detentor do cargo que está deixando o posto.

“Esta nação devastada pela pandemia, economicamente tensa e politicamente polarizada está precisando e pronta para uma liderança equilibrada, compassiva e competente – para curar as feridas sofridas e reveladas não apenas em 6 de janeiro, mas há muito em formação”.

O farol americano da democracia vai e deve continuar a brilhar, dando esperança aos que lutam pela liberdade em cantos desesperados do mundo e apresentando um desafio implacável aos tiranos. Os eventos de 6 de janeiro são um lembrete dos perigos que nossa própria democracia enfrenta – mas são igualmente um lembrete de nossa obrigação de superar esses perigos não apenas para nosso bem, mas para o bem de toda a humanidade”.

O AJC, uma organização apartidária, espera trabalhar com a próxima administração Biden e com membros de ambos os partidos no Capitólio e em escritórios por toda a América – como sempre fizemos e sempre faremos – para garantir a proteção, direitos e bem-estar de nossa comunidade e de todos os povos, e para defender o ideal democrático americano.

Foto por Jon Cherry/Getty Images/AFP