“Antissemitismo chegou a seu pior nível desde a 2ª Guerra e as organizações judaicas mundiais precisam agir em conjunto”, alerta líder judeu britânico

“O antissemitismo chegou a seu pior nível desde a Segunda Guerra, com uma combinação de antissemitismo clássico e antissionismo, enquanto muitas das inúmeras organizações judaicas do mundo se perdem em diferentes narrativas, quando precisam urgentemente coordenar a luta e trabalhar em conjunto”, alertou Jonathan Goldstein, líder do Conselho de Liderança Judaico de Londres.

Goldstein, que liderou a campanha “Basta” contra o antissemitismo no Reino Unido, principalmente nas fileiras do Partido Trabalhista, disse que os líderes judeus ignoraram por muito tempo o crescente antissemitismo e “perderam a narrativa” quando se trata do sionismo.

“O judaísmo global precisa agir em conjunto”, alertou.

Em entrevista ao Times of Israel, Goldstein afirmou que muitas das inúmeras organizações judaicas do mundo todo estão divulgando diferentes narrativas, quando precisam urgentemente coordenar e trabalhar em conjunto contra o antissemitismo global.

“Não estamos maximizando nossos recursos como um povo global para lutar contra uma doença que ameaça ficar fora de controle”, advertiu.

“Nossas principais organizações estão em ‘guerra’ entre si em um sentido global; se perdem em diferentes narrativas, quando deveriam estar unidas na luta contra uma ameaça comum”, destacou.

Ele disse que os líderes judeus mundiais perderam uma boa oportunidade de transmitir uma mensagem clara e conjunta no mês passado, durante os eventos realizados em Jerusalém, por ocasião do 75º aniversário da libertação de Auschwitz, quando estavam reunidos vários líderes mundiais.

O alerta de Goldstein veio um dia depois que o British Community Security Trust (CST) – organização que monitora o antissemitismo e fornece segurança para a comunidade judaica na Grã-Bretanha – revelou um novo recorde nos índices de antissemitismo no país, com 1.805 incidentes de ódio antissemita em 2019, o maior total já registrado em um ano. Este é o quarto ano consecutivo em que o CST registra recordes de casos antissemitas, com um aumento de 7% em relação aos 1.690 incidentes em 2018.

O relatório citou 566 casos adicionais que foram relatados ao CST, mas não foram considerados antissemitas.

“2019 foi outro ano difícil para os judeus britânicos e não é surpresa que os incidentes antissemitas registrados cheguem a recorde”, disse o executivo-chefe da CST, David Delew. “Está claro que a mídia social e a política convencional são ambientes onde o antissemitismo e o racismo precisam ser erradicados, para que a situação melhore no futuro”.