Times of Israel

Antissemitismo nos EUA é muito pior do que o relatado, dizem líderes judeus

O antissemitismo nos Estados Unidos é muito maior (e pior) do que o relatado, disse Malcolm Hoenlein, vice-presidente da Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas, nesta segunda-feira.
“É pior porque a maioria dos incidentes não é relatada”, disse Hoenlein ao Times of Israel em uma reunião com a equipe em Jerusalém ao lado da presidente da Conferência, Dianne Lob, e do CEO William Daroff.
“Recebemos relatórios o tempo todo. Vejo isso não apenas na minha própria comunidade, mas também nos relatos de rabinos que ligam para mim e para outras pessoas. E muitas vezes a polícia não classifica como um crime de ódio porque então o FBI tem que entrar, e o FBI não quer isso porque é muita papelada etc. Mas há mais hostilidade e a grande maioria dos incidentes não são relatados, embora o número de relatórios esteja aumentando drasticamente”, pontuou.
Houve um aumento drástico no antissemitismo nos Estados Unidos por ocasião do recente conflito entre Israel e o Hamas, disse ele.
Na cidade de Nova York, em meio a manifestações pró-Israel e pró-palestinos no início de maio, judeus foram agredidos nas ruas. Nos dias seguintes, judeus de Nova York postaram nas redes sociais sobre terem sido ameaçados, assediados ou de outra forma atacados por serem judeus. Sinagogas na Flórida, Illinois e Arizona foram alvos de ataques. Dois incidentes antissemitas foram registrados em vídeo em Los Angeles.
Os incidentes antissemitas levaram alguns a se abster de usar símbolos judaicos em público por medo de serem atacados.
A Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas é o órgão responsável pelas questões internacionais e nacionais de 52 organizações Judaicas dos Estados Unidos.
“O antissemitismo realmente abalou nossa comunidade”, destacou Hoenlein. “O sentimento de insegurança é bastante difundido, mesmo entre setores que se sentiam menos vulneráveis do que os judeus ortodoxos, que estão mais expostos. Agora nós vemos isso em todos os lugares, pessoas sendo paradas nas ruas e questionadas com a frase: ‘Você é judeu?'”
Hoenlein disse que está vendo os efeitos do antissemitismo e do ódio a Israel na academia, na política e na mídia.
“Temos membros judeus do corpo docente que estão vendo seus empregos sendo colocados em perigo por serem identificados como pró-Israel, ou por não se juntarem aos ataques anti-Israel”, disse ele.
Na esfera política, Hoenlein apontou para o candidato a prefeito de Nova York, Andrew Yang, que tuitou em apoio a Israel e condenou o Hamas.
Sob pressão de ativistas pró-palestinos locais e da republicana Alexandria Ocasio-Cortez, Yang emitiu uma retratação, dizendo que “meu tuíte foi excessivamente simplista no tratamento de um conflito que tem uma longa e complexa história cheia de tragédias”. Ele acrescentou que “falhou em reconhecer a dor e o sofrimento de ambos os lados”.