Ao apresentar equipe de política externa, Biden diz que EUA ‘estão de volta e prontos para liderar o mundo’

O presidente eleito Joe Biden deu, nesta terça-feira, contornos mais claros à doutrina que vai reger a política externa americana nos próximos anos, marcada pela ênfase na questão climática, pela retomada do diálogo com antigos aliados, muitos esquecidos por Donald Trump, e pela defesa do multilateralismo como forma de recolocar os Estados Unidos em uma posição de liderança global.

“Essa é uma equipe que reflete o fato de que os EUA estão de volta. Prontos para liderar o mundo e não para se retraírem”, declarou Biden na tarde desta terça-feira, ao apresentar sua equipe de segurança nacional e política externa. “Essa equipe adota minha visão de que os EUA são mais fortes com os seus aliados”.

O democrata fez o pronunciamento um dia depois de Trump ter autorizado o início da transição formal de poder – uma forma de reconhecer sua derrota eleitoral. A notícia levou as bolsas americanas a baterem recordes, influenciadas também pela indicação já dada como certa de Janet Yellen, ex-presidente do Fed, para a Secretaria do Tesouro, o que indicaria mais gastos do governo para estimular a economia.

A reformulação da diplomacia americana após quatro anos de Donald Trump era um dos pilares da campanha de Biden, que prometia uma política de reinclusão dos EUA nos cenários multilaterais logo em seus primeiros movimentos. Com isso, quebraria o isolacionismo dos anos Trump, nos quais os EUA abandonaram uma série de acordos, a começar pelo Acordo de Paris para o clima, e puseram de lado antigos parceiros, como as nações europeias.

Por isso, Biden ressaltou, ao lado de seus indicados, que eles ajudariam a “reprogramar a política externa americana”, deixando um legado para as futuras gerações e, dessa forma, restabelecendo o papel dos EUA no mundo, “especialmente sua liderança global”.

A ideia da necessidade de reconstruir relações foi ressaltada pelo indicado para comandar o Departamento de Estado, Antony Blinken.

“Como o presidente eleito afirmou, não podemos resolver todos os problemas do mundo sozinhos. Nós precisamos trabalhar com outros países. Precisamos de sua cooperação. Precisamos de sua parceria”.

Na mesma linha, a indicada para chefiar a missão dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, fez coro às palavras que Biden pronunciara minutos antes.

“Os EUA estão de volta, o multilateralismo está de volta, a diplomacia está de volta”, declarou a diplomata, listando uma série de desafios a serem enfrentados pelo novo governo, como a pandemia do novo coronavírus e seu impacto social, além da situação dos refugiados. Para ela, são questões que podem ser resolvidas se os EUA agirem em conjunto com a comunidade internacional.