Após acordo com a ONU para manter inspeções, Irã anuncia entrada em vigor das novas restrições e diz que pode enriquecer urânio em até 60%

O Irã anunciou nesta terça-feira a entrada em vigor das novas restrições às inspeções nucleares da ONU, após o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, ter declarado que o país pode enriquecer urânio em até 60%.

Teerã anunciou que a partir de hoje a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não mais terá acesso às imagens das instalações nucleares do país, mas poderá voltar a ter se as sanções americanas forem suspensas. Também estão proibidas a partir de hoje as inspeções em instalações militares não nucleares.

A TV estatal iraniana anunciou as medidas sem dar detalhes da decisão, limitando-se a informar que o Irã cumpriu sua ameaça de reduzir a cooperação com os inspetores da AIEA – uma tentativa de pressionar os países europeus e o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, a suspender as sanções econômicas e restaurar o acordo nuclear de 2015.

Não ficou claro como o acesso às inspeções será limitado. O ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, disse que a AIEA seria impedida de acessar sua rede de câmeras de vigilância em instalações nucleares. A Organização de Energia Atômica do Irã prometeu manter a filmagem por três meses e depois entregá-la à AIEA, mas apenas se houver a suspensão das sanções.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta segunda-feira (22) que o limite de enriquecimento de urânio não será apenas de 20%, e que o país atuará de acordo com suas necessidades, podendo “aumentar para 60%”.

As declarações, publicadas em um site oficial, ocorrem na véspera da entrada em vigor de uma lei que pretende limitar a inspeção da ONU (Organização das Nações Unidas) na atividade nuclear do Irã enquanto as sanções americanas forem mantidas.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou no domingo (21) que fechou um acordo temporário para amortecer as medidas que Teerã planeja tomar, incluindo o fim das inspeções-surpresas.

Com o novo pacto, que tem duração de três meses e pode ser suspenso a qualquer momento, o número de inspetores destacados pela AIEA no Irã será mantido e eles poderão continuar realizando inspeções aleatórias.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse que os comentários de Khamenei “soam como uma ameaça”, mas ele reiterou a disposição dos EUA de se envolver em negociações com o Irã sobre o retorno ao acordo nuclear.

O anúncio do chefe da AIEA, Rafael Grossi, feito no aeroporto de Viena após uma viagem ao Irã, confirmou que o país seguirá em frente com seu plano de reduzir a cooperação com a agência. Teerã confirmou nesta segunda que a medida passa a valer a partir desta terça-feira (23).

A nova legislação permite que o governo iraniano limite algumas das inspeções da AIEA em instalações não nucleares, incluindo bases militares, enquanto Washington não abandonar as sanções impostas ao Irã.

Teerã “não abandonou suas obrigações, mas reduz progressivamente algumas delas, que são reversíveis em caso de (os outros países participantes do acordo) voltarem a respeitar seus compromissos”, declarou Khamenei.

Foto: Official Website of the Office of the Iranian Supreme Leader via AP