Após acordo Sudão-Israel, Trump prevê “uma família unificada” no Oriente Médio

Com os líderes de Israel e do Sudão ao telefone no Salão Oval da Casa Branca, um eufórico presidente dos EUA, Donald Trump, previu nesta sexta-feira (23) a paz em todo o Oriente Médio e em regiões mais amplas, incluindo até mesmo o Irã, como uma “família unificada”.

Dirigindo-se a repórteres na Casa branca, anunciou que cinco outros países “querem entrar na família” e se juntar aos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e agora o Sudão. Ele acrescentou que “muitos mais” seguirão esse caminho, indicando que a Arábia Saudita seria um deles, e previu que, em algum momento, o Irã também “seguirá o exemplo”.

Depois que Trump enfatizou que um novo acordo com o Irã dependeria de o regime não obter armas nucleares, Netanyahu disse que não se oporia a “um acordo melhor” com o Irã.

Questionado por Trump, no início da conversa na presença de repórteres, para comentar sobre o novo processo de normalização entre Israel e estados árabes, Netanyahu chamou isso de “estonteante”.

“Isso muda a vida das pessoas”, disse ele. “Não estamos envolvidos em derramamento de sangue; não estamos nos envolvendo em antagonismo. Estamos engajados na cooperação para o presente e o futuro. Estamos vendo os frutos da paz agora, dias após a assinatura desses acordos”, disse ele. “Nunca vimos nada assim”.

Netanyahu observou que enquanto “o Irã, o Hezbollah e o Hamas estão infelizes” com a série de acordos, quase todos estão felizes, porque a paz é uma coisa boa e alcançá-la é uma sensação incrível”.

Trump aproveitou para perguntar a Netanyahu sobre o candidato democrata à presidência Joe Biden: “Você acha que Joe teria feito este acordo? De alguma forma, eu acho que não”.

Netanyahu, perplexo e procurando evitar uma resposta partidária, disse cuidadosamente: “Bem, senhor presidente, posso lhe dizer uma coisa. Agradecemos a ajuda para a paz de qualquer pessoa na América e agradecemos o que você tem feito nesse sentido. O que está acontecendo é algo inédito na história”.

Trump então previu que “em algum momento” o Irã “talvez fará parte de tudo isso” e embarcará no processo de paz. “Adoraria ajudar o Irã”, disse ele. “Eles passaram de um país rico para um país pobre em um período de três anos. E eu adoraria colocá-los de volta nos trilhos. Mas eles simplesmente não podem ter armas nucleares e precisam parar de gritar ‘Morte a Israel'”, disse Trump.

Trump foi questionado se líderes israelenses e sudaneses seriam convidados a Washington para uma cerimônia de assinatura, semelhante à realizada no mês passado com Netanyahu ao lado de chanceleres dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein depois que esses países concordaram em normalizar os laços com o estado judeu.

“Nós os teremos junto com alguns outros países sobre os quais você ouvirá falar em breve e, provavelmente, ao mesmo tempo”, respondeu Trump.

Com outros países aderindo ao processo de paz, o presidente dos EUA falou então de uma “grande reunião, em que todos estarão aqui juntos para assinarem novos acordos, incluindo os sauditas”. “Esperamos que a Arábia Saudita seja um desses países”, disse ele, observando que o rei e o príncipe saudita são “muito respeitados”, assim como os líderes dos Emirados Árabes Unidos. “Todos eles virão juntos; vamos ter uma grande e linda festa no final”, disse ele.