Após ameaças iranianas, Israel recomenda às suas embaixadas que reforcem a segurança

Israel recomendou às suas embaixadas em todo o mundo que reforcem a sua segurança, diante da ameaça do Irã de vingar a morte do cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh.

O Canal 12 israelense informou que embaixadas e instituições judaicas de vários países estão reforçando a segurança, enquanto o Irã promete vingar o assassinato do físico nuclear Mohsen Fakhrizadeh, supostamente cometido por Israel.

Citando três oficiais de inteligência não identificados, o jornal New York Times também afirmou que Israel foi o autor do ataque,
O Ministério das Relações Exteriores de Israel não comentou que medidas estão sendo adotas nas missões diplomáticas.

O Irã e o Hezbollah foram acusados de alvejar israelenses e judeus ao redor do mundo em várias ocasiões, e locais israelenses e judaicos são vistos como os principais alvos de represálias após o atentado que matou o físico iraniano.

Teerã também mantém forças à sua disposição em torno de Israel, incluindo tropas e representantes na vizinha Síria, o Hezbollah no Líbano e a Jihad Islâmica – e em menor grau o Hamas – na Faixa de Gaza.

Há muito tempo Israel é suspeito de ter cometido uma série de assassinatos seletivos de cientistas nucleares iranianos há quase uma década, em uma tentativa de reduzir o programa nuclear iraniano.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, acusou Israel de estar por trás da morte do principal cientista nuclear.

“Mais uma vez, as mãos malignas da arrogância global foram manchadas com sangue pelo regime sionista usurpador e mercenário”, disse Rouhani em comunicado. O Irã geralmente usa o termo “arrogância global” para se referir aos Estados Unidos.

“O assassinato do mártir Fakhrizadeh mostra o desespero de nossos inimigos e a profundidade de seu ódio. Seu martírio não retardará nossas realizações”, advertiu.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, pediu “punição” aos responsáveis pelo assassinato de Fakhrizadeh, acrescentando que seu trabalho deve continuar.

O programa nuclear iraniano vem avançando, a despeito do acordo nuclear com as grandes potências, e agora enriquece urânio com até 4,5 por cento de pureza, acima do estabelecido no pacto, em resposta às sanções adotadas pelos Estados Unidos contra o país logo após a saída de Washington do acordo, em 2018. Embora esse índice ainda esteja muito abaixo dos níveis de 90% necessários para a fabricação de armas nucleares, especialistas alertam que o Irã tem agora urânio suficiente para desenvolver pelo menos duas bombas atômicas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou que há “sérios indícios da participação israelense” no assassinato.

“Terroristas assassinaram um eminente cientista iraniano hoje. Esse ato covarde – com sérios indícios de participação israelense – mostra uma guerra desesperada dos perpetradores”, escreveu Zarif no Twitter. Ele pediu à comunidade internacional que “acabe com seus vergonhosos padrões duplos e condene este ato de terrorismo de Estado”.