Após Knesset aprovar acordo Netanyahu-Gantz, Rivlin encarrega o premier de formar o novo governo

O Knesset aprovou nesta quinta-feira (7) por maioria de 72 votos a formação de um governo de união entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu ex-rival político Benny Gantz, pondo fim a mais longa crise política da história recente de Israel e abrindo caminho para a posse do novo governo prevista para a próxima semana.

A votação no Knesset foi realizada depois que a Suprema Corte de Israel endossou o acordo Likud-Netanyahu e considerou que o fato de o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu estar sendo processado por corrupção não impede que ele forme um governo.

Ao final do dia, o presidente Reuven Rivlin encarregou Netanyahu de formar o novo governo. “De acordo com a vontade da maioria dos membros do Knesset, informo que você tem um período de 14 dias para formar um governo”, disse Rivlin em mensagem enviada a Netanyahu e Benny Gantz, presidente da Knesset.

Netanyahu tem agora 14 dias para formar um governo, ou o Knesset será automaticamente dissolvido e uma quarta rodada de eleições poderá ser convocada.

Espera-se que o novo governo tome posse em 13 de maio.

Ao final das deliberações, o painel de 11 juízes da Suprema Corte afirmou que a decisão “não deve ser interpretada como uma redução da gravidade das acusações de improbidade, nem da dificuldade de um primeiro-ministro cumprir o mandato enquanto é acusado criminalmente”.

O tribunal acrescentou que Netanyahu tem direito à presunção de inocência.

O premiê foi indiciado em janeiro por acusações de suborno, fraude e quebra de confiança. Ele nega qualquer irregularidade nos três casos. Seu julgamento está marcado para começar em 24 de maio.

A situação crítica da pandemia de coronavírus levou Gantz a voltar atrás em uma promessa de campanha de não servir em um governo liderado por um primeiro-ministro que enfrentasse acusações criminais.

Sob os termos do acordo, Netanyahu atuaria como primeiro-ministro do novo governo por 18 meses e depois entregaria o cargo a Gantz.

Com a aprovação da legislação no Knesset, o partido Azul e Branco, de Benny Gantz, recomendou a seus parlamentares que apoiem Netanyahu – uma situação considerada impensável há pouco mais de um mês.

O acordo de coalizão entre Netanyahu e Benny Gantz, prevê que os dois compartilhem a liderança no mandato do governo de emergência.

As partes disseram que o novo governo será empossado na próxima quarta-feira, terminando um ano de impasse político.

A parte mais importante do acordo, o projeto de lei de rotação no governo que altera uma Lei Básica, foi aprovada em sua segunda e terceira leituras por 72 a 36 votos, com membros do partido religioso de direita Yamina, não comparecendo à votação.

Também estavam ausentes os parlamentares trabalhistas Merav Michaeli, que se opõe à entrada de seu partido na coalizão, e alguns membros do partido de oposição Yisrael Beytenu (Israel Nossa Casa), incluindo o seu líder Avigdor Liberman, um rival de Netanyahu.

O possível líder da oposição Yair Lapir, da Yesh Atid-Telem, outrora aliado de Gantz, criticou o novo governo, e o apoio do Azul e Branco a Netanyahu. “Nunca houve tantos enganadores de tantos eleitores”, tuitou ele, em referência à famosa citação da Segunda Guerra Mundial pelo primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

Uma alteração da legislação no final da noite incluía uma cláusula que permitia que Netanyahu e Gantz estendessem o mandato de três anos do governo por mais um ano, se assim desejarem. Sob o acordo, Netanyahu atuará como primeiro-ministro nos primeiros 18 meses, seguido por Gantz.

As votações no Knesset foram realizadas depois que a Suprema Corte de Justiça considerou que “não há objeções ao acordo de coalizão”. Quando aprovado, o novo governo será empossado em 13 de maio, encerrando mais de um ano de limbo político.

O acordo pode oferecer a Israel um raro período de estabilidade política, na tentativa de reparar os danos econômicos causados ? pelo novo coronavírus, que já infectou mais de 16.000 pessoas no país e causou cerca de 240 mortes. Netanyahu e Gantz disputaram três eleições inconclusivas – em abril e setembro de 2019 e em março deste ano – antes de Gantz, no final de março, dizer que estava pronto para participar com Netanyahu de uma coalizão de emergência que combateria a pandemia e salvaguardaria a democracia israelense.