Após restrições às inspeções nucleares, países europeus pressionam ONU por condenação formal ao Irã

A recente decisão do Irã de limitar as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estará no centro de uma reunião do Conselho de Vigilância Nuclear da ONU nesta semana, com membros europeus pressionando pela adoção de uma repreensão formal a Teerã.

Grã-Bretanha, França e Alemanha estão avançando com um plano apoiado pelos EUA em favor da adoção de uma resolução do Conselho de Vigilância Nuclear da ONU condenando o Irã por restringir a cooperação com a AIEA, apesar dos alertas russos e iranianos sobre as ‘sérias consequências’ da medida.

O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, com 35 nações, está realizando uma reunião trimestral nesta semana em meio aos esforços pela retomada do acordo nuclear com o Irã.

Os países ocidentais tentarão encontrar uma maneira de censurar o Irã sem comprometer os frágeis esforços pela retomada do acordo nuclear de 2015 entre Teerã e as grandes potências.

“Os europeus deram início a uma ação errada ao apoiar os EUA no Conselho de Governadores”, disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif. “Achamos que essa mudança vai desorganizar a situação”, disse ele, em declarações divulgadas pela agência oficial Irna.

Embora o presidente Joe Biden tenha dito que está disposto a trazer os Estados Unidos de volta ao acordo de 2015, no domingo o Irã disse que o momento “não era adequado” para realizar uma reunião informal com os EUA e os demais signatários do pacto – França, Alemanha , Grã-Bretanha, China e Rússia.

Fontes diplomáticas afirmam que nenhuma decisão foi tomada pelos Estados europeus sobre a apresentação ou não de uma resolução contra o Irã.

A Rússia deixou clara sua oposição à perspectiva de uma resolução criticando o Irã.

O embaixador russo Mikhail Ulyanov tuitou que tal medida seria um “infeliz erro de cálculo”.

Anteriormente, ele havia dito que “a responsabilidade comum de todos os 35 governadores é garantir que os debates (mesmo acalorados) não afetem negativamente os esforços diplomáticos voltados para a restauração total de #JCPOA”, como é chamado o acordo de 2015.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia também criticou Washington pelos ataques dos EUA contra milícias apoiadas pelo Irã no leste da Síria na semana passada, dizendo que a ação ameaçava as negociações.

“Não há dúvida de que forças influentes em Washington tomaram medidas para inviabilizar esta reunião”, disse Sergei Ryabkov, citado pela agência de notícias estatal russa TASS.

Zarif disse que o Irã espera “que a razão prevaleça” na reunião desta semana.

“Do contrário, temos soluções”, disse ele, sem especificar quais seriam.

Em documento distribuído aos Estados membros da AIEA antes da reunião, a missão iraniana na organização disse que uma resolução crítica seria “contraproducente e destrutiva”.

O documento também diz que a introdução de tal resolução marcaria o “fim” do acordo alcançado com a AIEA no mês passado para mitigar o impacto da redução das inspeções.

Sob esse acordo temporário de três meses, o Irã se comprometeu a manter registros sobre “algumas atividades (nucleares)” e entregá-los à AIEA quando as sanções dos EUA forem suspensas.

Foto: Atomic Energy Organization of Iran via AP