Apuração oficial confirma vantagem de Netanyahu, que fica a três cadeiras de maioria no Parlamento

Com praticamente todos os votos apurados (99,8%), o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, se consolidou na liderança com 36 cadeiras no Knesset, totalizando 58 com o apoio de seu bloco, mas ainda faltando 3 para ter a maioria necessária de 61 dos 120 assentos. Com isso, o premiê vê se repetir o mesmo resultado das outras duas eleições anteriores: sua coligação consegue um bom número nas urnas, mas não o suficiente para obter maioria e formar um governo. Assim, precisa buscar apoio em outros partidos.

Parlamentares do Likud e o porta-voz de Netanyahu disseram ontem que pretendem buscar o apoio de “desertores” de partidos para alcançar a maioria necessária.

O porta-voz do Likud, Yonatan Urich, disse ao Canal 13 que o partido está em contato com “quatro a seis” parlamentares e previu que Netanyahu conseguirá formar uma coalizão majoritária com o apoio de alguns deles “dentro de alguns dias”.

O Azul e Branco, de Benny Gantz, conquistou mais uma cadeira no Knesset, ficando com 33, após a contagem dos chamados envelopes duplos pelo Comitê Central de Eleições.

O Comitê Central de Eleições anunciou que quase todos os votos já foram computados, com votos de 10.552 locais de votação em todo o país – 99% das urnas que estavam abertas durante as eleições de segunda-feira, representando cerca de 93% do total de votos.

A contagem das cédulas de “envelope duplo” de soldados, policiais, diplomatas, cidadãos deficientes, pacientes e funcionários de hospitais e prisioneiros começou ontem à noite e deve terminar no decorrer do dia, mas os resultados oficiais só devem ser anunciados no dia 10.

A lista conjunta de partidos predominantemente árabes caiu de 16 para 15, enquanto o ultra-ortodoxo Shas caiu de 10 para 9.

O número de assentos conquistados dos demais partidos se manteve: 7 para o Judaísmo da Torá Unida (UTJ); 7 para Yisrael Beytenu (Israel Nossa Casa) 7 para Labor-Gesher-Meretz e seis para Yamina.

Com base nesses totais de assentos, o Likud e seus aliados teriam 58 assentos combinados. E o bloco religioso de direita que apoia Netanyahu – composto por Likud, Shas, UTJ e Yamina – fica aquém dos 61 assentos necessários para formar um governo.

No final de terça-feira, oficiais vestidos com proteção especial abriram e contaram as cédulas depositadas por israelenses que estão em quarentena por causa do coronavírus. Cerca de 4.076 israelenses sob quarentena votaram na segunda-feira em cabines de votação especialmente construídas, equipadas por médicos em equipamentos de proteção.

A eleição desta segunda-feira foi vista como um referendo sobre Netanyahu, que será julgado no final deste mês por suborno, fraude e quebra de confiança, embora acredite-se que ele esteja buscando apoio para um mecanismo legislativo que lhe conceda imunidade.
Apesar da surpreendente vitória de seu partido nas urnas, Netanyahu ainda não conta com a maioria de 61 cadeiras no Knesset, embora as previsões indiquem que ele conseguirá isso.

Gantz admitiu que a atuação de seu partido foi decepcionante, mas não reconheceu a derrota nas urnas. Mais tarde, porém, ele descartou a possibilidade de se juntar a um governo de unidade liderado por Netanyahu.

Netanyahu poderia buscar o apoio do secularista Yisrael Beytenu (Israel Nossa casa), de Avigdor Lieberman – apontado como pêndulo da balança – para evitar novo impasse e uma quarta eleição.

Lieberman já reafirmou que não se juntaria a um governo liderado pelo Likud, que inclui partidos ultraortodoxos, mas ele também se recusou a ingressar em uma coalizão com a Lista Conjunta liderada pelos árabes.

“Não nos afastaremos um milímetro do que prometemos aos nossos eleitores”, reafirmou ele.