Atentado terrorista perto de sinagoga mata 4 e deixa 15 feridos graves em Viena; Brasil, Israel e UE condenam o ataque

Um atentado terrorista no centro de Viena na noite desta segunda (2) matou quatro pessoas e deixou 15 gravemente feridas, inclusive um policial, afirmou a polícia na manhã desta terça.

O presidente israelense, Reuven Rivlin, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenaram o ‘hediondo’ ataque. “A selvageria do ressurgimento do terrorismo islâmico deve ser derrotada. Israel condena o ataque brutal em Viena e se solidariza com o povo da Áustria. Os povos civilizados em todos os lugares devem se unir para derrotar a selvageria do terrorismo islâmico”.

“Nossos pensamentos e orações estão com o povo da Áustria enquanto acompanhamos com preocupação os acontecimentos sobre esse hediondo ataque terrorista da noite passada em Viena”, tuitou Rivlin.

O governo brasileiro divulgou nota, afirmando que acompanha, com grande atenção, as investigações das autoridades da Áustria acerca do suposto ataque terrorista perpetrado na noite desta segunda-feira no centro de Viena. Não há registro, até o momento, de brasileiros feridos.

Ao condenar veementemente o ataque, o governo brasileiro estende sua solidariedade às pessoas atingidas, bem como ao governo e povo austríacos.

O Brasil torna a expressar seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente da sua motivação, e reafirma sua determinação de trabalhar com todos os parceiros para erradicar esse flagelo.

O chefe da diplomacia europeia, Josp Borrel, disse no Twitter estar “chocado” com os ataques. “É um ato de covardia, violência e ódio”. “Em todas as partes do nosso continente, estamos unidos contra a violência e o ódio”, destacou no Twitter o presidente do Parlamento Europeu, o italiano David Sassoli.

Classificado como “hediondo ataque terrorista” pelo premiê austríaco, Sebastian Kurz, os atos começaram por volta das 20h (horário local, 16h no Brasil), na região da Seitenstettengasse, onde fica a principal sinagoga da cidade.

Um agressor, que usava um rifle de assalto automático e carregava várias outras armas, foi morto cerca de dez minutos depois. Segundo o ministro do Interior austríaco, Karl Nehammer, ele era simpatizante do Estado Islâmico. A participação de outros atiradores ainda está sendo investigada, e o ministro pediu à população de Viena que evite sair às ruas nesta terça.

Os ataques começaram perto da sinagoga e se estenderam por outros cinco locais. As instituições judaicas devem permanecer fechadas no dia de hoje.

O líder austríaco não descarta motivação antissemita.

Um policial foi baleado, ficou gravemente ferido e foi operado na madrugada, segundo o chefe de polícia da cidade, Gerhard Purstl.

Tanto a sinagoga da Seitenstettengasse quanto o prédio de escritórios do mesmo endereço já estavam fechados quando os ataques começaram, mas a Associação Israelita orientou os fiéis a não saírem de casa, até recomendação em contrário da polícia. O governo austríaco liberou a presença nas escolas em Viena nesta terça.

“Estamos passando por momentos difíceis em nossa República”, escreveu Kurz em uma rede social. “Fico feliz que nossos policiais já tenham conseguido eliminar um perpetrador. Jamais nos permitiremos ser intimidados pelo terrorismo e lutaremos contra esses ataques com firmeza por todos os meios”.

Segundo o premiê, “para que a polícia possa concentrar-se totalmente na luta contra o terrorismo”, as Forças Armadas vão assumir o policiamento da capital austríaca.

A polícia de Viena confirmou que houve seis locais de ataque – todos no primeiro distrito da cidade, a cerca de 10 minutos a pé um do outro – com vários agressores.

A área central onde ocorreu o incidente tem vários bares e restaurantes e estava movimentada, porque um novo bloqueio contra o coronavírus começaria à meia-noite. O ataque provocou pânico e correria pelas ruas.

A sinagoga de Seitenstettengasse foi palco de um ataque em 1981, no qual dois palestinos deixaram 2 mortos e 18 feridos. Em 1985, um grupo terrorista palestino atacou o Aeroporto Internacional de Viena com tiros e granadas, deixando 3 mortos.

Em agosto, um refugiado sírio de 31 anos foi detido sob suspeita de tentar atacar o líder de uma comunidade judaica em Graz, segunda maior cidade austríaca. Não houve feridos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, publicou uma mensagem em alemão na qual diz que a França “compartilha o choque e a dor do povo austríaco, atingido esta noite por um ataque no coração de sua capital”.

“Esta é a nossa Europa. Nossos inimigos devem saber com quem estão lidando. Não vamos ceder nada a eles”, escreveu Macron. Desde setembro, três atentados deixaram quatro mortos na França.

No final da noite, o governo tcheco anunciou blitzen na fronteira com a Áustria e reforço na segurança de instituições judaicas da República Tcheca, como medida preventiva.