Autor de ataques na Alemanha disse que queria matar pessoas de Israel, Ásia e África

A principal organização judaica da Alemanha afirmou estar em choque com os ataques a tiros ocorridos na noite desta quarta-feira (19) na cidade de Hanau. O atirador, que matou 10 pessoas, era um extremista de direita que teria dito que queria exterminar pessoas da Ásia, norte da África e Israel.

Em comunicado divulgado na manhã de hoje, Josef Schuster, líder do Conselho Central de Judeus da Alemanha, disse estar preocupado com “a segurança das minorias na Alemanha e com aqueles que estão empenhados em ajudá-las”.

Schuster e outros líderes judeus alemães disseram recentemente que o aumento dos crimes de direita e a ascensão de um partido político de extrema direita, o Alternativa para a Alemanha (AfD), os fizeram pensar em deixar o país.

Schuster disse que as autoridades alemãs ignoraram os sinais de alerta por muito tempo. “Já é tempo de todas as entidades democráticas se unirem contra a ameaça do extremismo de direita e também do terror islâmico. Políticos, órgãos de aplicação da lei, judiciário e sociedade civil precisam assumir a sua responsabilidade na defesa das instituições democráticas”.

A chanceler alemã Angela Merkel, que cancelou seus planos de viagem ao exterior após os ataques em Hanau, disse em comunicado: “O racismo é um veneno. O ódio é um veneno. E esse veneno existe em nossa sociedade e é responsável por muitos crimes”.

Este é o mais recente de uma série de ataques praticados na Alemanha por extremistas de direita nos últimos meses. Tanto o ataque a uma sinagoga em Halle, em outubro passado, durante o Iom Kipur, quanto o assassinato, em junho, de Walter Lübcke, um político que defendia o acolhimento de refugiados, foram realizados por extremistas de direita.

A polícia de Hanau informou que o atirador, identificado como Tobias R., nascido em 1977, e sua mãe foram encontrados mortos no início da manhã desta quinta-feira em sua casa, que fica perto de um dos bares de narguilé que ele atacou. Entre os mortos estão cidadãos turcos, um bósnio e outro da Polônia.

O atirador deixou um vídeo e um manifesto de 24 páginas, no qual ele disse que certos povos “devem ser completamente exterminados”, de acordo com a mídia alemã. Um porta-voz do procurador-geral disse à Agência Telegráfica Judaica (JTA) que não podia confirmar a existência do manifesto ou do vídeo, mas que mais informações sobre esses supostos conteúdos serão divulgadas nas próximas horas.

A mídia alemã disse que o manifesto foi escrito em janeiro e pretendia ser uma “mensagem ao povo alemão” e uma declaração de guerra. Essas informações – não confirmadas – indicam que ele culpou “certos indivíduos em meu próprio país” pelo fato de “agora termos populações, raças ou culturas entre nós que são destrutivas em todos os aspectos”.

Tobias R. também teria postado um vídeo no YouTube na semana passada, com teorias de conspiração sobre ‘poderes secretos’ nos Estados Unidos e na Alemanha, e com expressões de ódio dirigidas a imigrantes árabes e turcos.

Oliver Dainow, representante da comunidade judaica de Hanau, disse ao JTA que a polícia afirmou não ter conhecimento sobre ameaças específicas a judeus na cidade. “Mas, para quem tem esse tipo de ideias, os judeus representam um alvo em potencial”, disse Dainow ao JTA. “Existe um ambiente tóxico em geral”, disse ele.

A comunidade de Hanau, com cerca de 200 membros, já havia reforçado a segurança após o ataque de outubro contra a sinagoga em Halle, em que duas pessoas foram mortas. O agressor tentou invadir a sinagoga e, não conseguindo, atirou contra duas pessoas que passavam na rua, sendo preso em seguida.

O ministro do Interior do estado de Hesse, Peter Beuth, disse nesta quinta-feira que xenofobia foi a motivação dos ataques contra dois bares na cidade de Hanau, na Alemanha, na noite de ontem.